De forma cada vez mais integrada e com plataformas integradoras, as cidades portuguesas estão a assumir estratégias mais definidas nas smart cities e no último ano foi sentida uma mudança significativa, que está a tornar Portugal mais “smart” segundo António Almeida Henriques, vice presidente da Associação Nacional de Municípios e presidente da Câmara de Viseu.

Nas últimas semanas realizaram-se 7 workshops em cidades portuguesas, no âmbito do Smart Cities Tour, que permitiu avaliar o “estado da arte” nesta área, e Miguel de Castro Neto, Sub-diretor da NOVA IMS, que coordenou um estudo sobre o estado de desenvolvimento das smart cities em Portugal, não tem dúvidas em afirmar que “o motor das soluções mais inteligentes são os municípios”.

O estudo foi apresentado durante o Portugal Smart Cities Summit, que está a decorrer no Centro de Congressos de Lisboa até dia 13 de abril e onde são mostrados muitos projetos que já estão no terreno. Segundo os dados recolhidos, no último ano os projetos municipais nesta área passaram de 83 para 106, com domínio das temáticas de energia, mobilidade, inovação e governação. A valorização é evidente, sendo considerada uma área importante para o desenvolvimento do concelho, mas há apostas que ainda são residuais.

Hoje os projetos de smart cities já têm uma estratégia em perto de 60 municípios, com projetos verticais de inteligência urbana a serem registados em perto de 70 municípios portugueses. Mais de 70 das cidades que participaram têm um responsável por smart cities mas é ainda muito reduzido o número das que aposta em plataformas integradoras (menos de 10) e as que disponibilizam um portal de dados abertos (menos de 20).

Mesmo assim a intenção é de reforço da estratégia na maioria dos inquiridos, com foco no desenvolvimento de projetos inovadores verticais, realça Miguel de Castro Neto, sendo um compromisso de mais de 50% dos municípios.

O investimento é porém uma das limitações. Apenas 20% das cidades investe até 1 milhão de euros e a larga maioria (78%) só fazem investimentos até 500 mil euros, um número que o sub-diretor da NOVA IMS admite que pode não estar totalmente correcto por existirem verbas distribuídas noutros orçamentos e não contabilizadas nesta rubrica.

“O desenvolvimento de soluções de inteligência urbana pode e está a ser promovido em qualquer localidade do país”, defende, explicando que o salto qualitativo está na transformação digital como indutora das alterações de procedimentos que tornam possível a decisão pública baseada em informação recolhida em tempo real e envolvendo o cidadão.

Considerando a evolução registada e a estratégia mais definida, o estudo realça também que há uma necessidade clara de desenhar um quadro de instrumentos de financiamento ao investimento municipal em inteligência urbana, uma linha que já tinha sido abordada por António Almeida Henriques que defende que se trabalhe na reprogramação de fundos estruturais e que se defina uma linha de apoio para as smart cities no âmbito do Portugal 2030.

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