A Vodafone confirmou ontem o rumor que circulava há algum tempo na comunicação social que está em conversações para vender o seu negócio de telecomunicações fixas no Japão, uma divisão da Japan Telecom Holdings que é detida em dois terços pelo grupo britânico de telefonia móvel.



A partir de agora, a Vodafone quer concentrar-se na J-Phone, a subsidiária lucrativa para o mercado móvel da Japan Telecom. Esta última empresa refere que já recebeu mais do que uma oferta de aquisição, mas o Ripplewood Holdings, um fundo de investimento norte-americano que já possui um banco e vários hóteis e companhias de electrónica no Japão, parece estar a liderar a corrida, de acordo com o New York Times.



Outra empresa que também poderá fazer parte desta corrida, a Tokyo Electric Power Company, uma das maiores companhias de abastecimento de electricidade no Japão, está, no entanto, em grande parte concentrada em reparar as suas centrais nucleares. Por seu lado, a Cable and Wireless IDC, outra empresa estrangeira detentora de um negócio de telefonia fixa no país, poderá não desejar investir mais num mercado dominado pelo antigo monopólio governamental, a Nippon Telegraph and Telephone, que encaminha 90 por cento das chamadas locais.



Em qualquer dos casos, a divisão proposta da Japan Telecom, um grupo tradicional de telecomunicações, poderá significar o prenúncio de mais spinoffs. Durante anos, a Nippon Telegraph, a KDDI e a Japan Telecom funcionaram todas com base no pressuposto que a melhor forma de conquistar contas empresariais lucrativas era oferecer um pacote completo de serviços - telecomunicações locais, a longa distância e celulares - no âmbito da mesma marca.



Mas, a liberalização do mercado japonês de telecomunicações e a introdução de tecnologia mais acessível obrigou a NTT e outras a repensar a sua estratégia. Tal como os consumidores no resto do mundo, os japoneses estão a comunicar mais através do email e de serviços de voz baseados na Internet, pagando apenas uma pequena parte do custo das chamadas telefónicas tradicionais. Mais de 60 por cento dos adultos possuem telemóveis. Este conjunto de tendências está a gerar uma redução das receitas obtidas com a telefonia fixa. No caso das unidades de linha fixa da NTT, as receitas diminuíram 10 por cento no semestre que terminou a 30 de Setembro.



Para contrariar este declínio, a NTT convenceu o governo a aumentar as taxas que as novas operadoras têm que pagar para aceder à rede local da Nippon. O negócio de telefonia fixa da Japan Telecom está avaliado em 300 mil milhões de ienes, de acordo com alguns analistas, embora as suas dívidas representem um total de 978 mil milhões de ienes. Para completar uma venda ao Ripplewood, a Vodafone terá que assumir alguma dívida da Japan Telecom ou aceitar um preço com desconto pelos seus bens, acrescentam.


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