Em 2015 anunciava-se que os cartões SIM físicos tinham os dias contados, já que a Apple e a Samsung estariam em conversações com as operadoras para criarem um cartão SIM digital que viria integrado no próprio telemóvel. Uns meses depois, já em 2016, confirmava-se o lançamento do primeiro gadget a tirar partido da tecnologia: uma nova versão do smartwatch Samsung Gear S2.

O tempo passou e o sistema, que propõe a substituição dos cartões físicos por software, nunca gerou grande "burburinho". Até ao mais recente evento da Apple, com o anúncio da integração de dual-SIM com os novos iPhone Xs. A “dupla oferta” da marca da maçã assenta na utilização do tradicional nano-SIM e de eSIM, devendo ficar disponível antes do final do ano.

A norma do eSIM tem tido o suporte da GSMA, que começou por desenvolver as especificações para utilização por dispositivos M2M, que incluem os dispositivos que constituem uma grande parte das redes IoT. “É aliás nesses dispositivos que a utilização do eSIM é mais interessante, porque o espaço poupado pela não existência do SIM físico reduz o tamanho dos dispositivos - e eventualmente o seu consumo”, sublinhou António Rodrigues, docente no Instituto Superior Técnico e investigador no Instituto de Telecomunicações, ao SAPO TEK. Num smartphone a poupança de espaço é menos importante em volume, notou, “mas poderá proporcionar que os smartphones possam ser ligeiramente mais finos”.

Ainda relativamente aos smartphones, em países ou zonas em que as coberturas de rede por parte dos operadores não sejam completas ou sejam de qualidade não uniforme, permitirá a um utilizador mudar de rede sem trocar fisicamente de telefone (ou de cartão) num período de tempo muito mais reduzido.

Há também áreas emergentes que beneficiarão destes sistemas como a indústria automóvel, nomeadamente, mas não exclusivamente, os veículos autónomos, e vários produtos de eletrónica de consumo, em termos de ligações, desde smartwatches a computadores portáteis.

“Existem inúmeras vantagens que este sistema poderá oferecer”, considera António Rodrigues. “Para o utilizador evita funcionar com SIM físicos, evitando a sua perda, o seu manuseamento entre diferentes terminais, a utilização de um dual SIM”, dividindo a vida profissional da pessoal ou o acesso a múltiplas operadoras. “Também permite com grande facilidade passar da sua conta em Portugal, por exemplo, para uma conta na Índia”, pagando-se os preços locais e não os custos de roaming.

Para as operadoras, o investigador do Instituto das Telecomunicações aponta a vantagem óbvia da poupança no circuito de distribuição e venda de cartões SIM, "na sua utilização em mercados emergentes como por exemplo a indústria automóvel e a IoT". Haverá sempre, contudo, desafios na busca de novas soluções em termos de marketing e gestão das assinaturas dos clientes e de novos modelos de distribuição dos acessos.

“O desafio principal será de marketing, manutenção e satisfação dos clientes, mas permitirá competir em novos mercados verticais e aumentar o volume de negócios, numa altura em que as comunicações móveis tradicionais estão a atingir alguma saturação do mercado”

eSIM em Portugal

Nenhuma operadora oferece eSIM em Portugal, de momento, mas o caso pode mudar de figura com a chegada dos iPhone Xs, que começaram a ser vendidos em todo o mundo esta sexta-feira. NOS e Vodafone indicaram ao TEK estarem a avaliar com a Apple a possibilidade de disponibilizarem o sistema no mercado português, considerando ser ainda prematuro, neste momento, avançarem com mais pormenores.

A Altice não descarta tal oferta e destaca o potencial do sistema para as operadoras e utilizadores. “A concretização das iniciativas eSIM trará consigo um conjunto de vantagens reconhecidamente associadas a esta tecnologia”, referiu em resposta fonte da operadora. “Ao traduzir-se numa nova forma de distribuir as credenciais de acesso a uma rede móvel, over the air mas mantendo os padrões de segurança do SIM card, o eSIM permitirá evoluir a experiência do ponto de vista do utilizador final, ao mesmo tempo que possibilita a otimização do modelo de distribuição comercial atual”.

A mesma fonte apontou ainda o papel relevante que a tecnologia poderá assumir num mercado em que o volume de equipamentos ligados, tanto machine to machine como de consumo, aumenta cada vez mais.

Salientou, contudo que a disponibilidade desta tecnologia será progressiva e conviverá com os processos de distribuição atuais, "obrigando as várias entidades envolvidas neste ecossistema, operadores incluídos, a conjugar duas realidades, o que limitará o efeito das referidas vantagens”.

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