A GMV apela à sensibilização da sociedade no geral para a crescente importância do Espaço na economia de um país e alerta para a necessidade de “conquistar” recursos desde cedo, apostando na educação e formação no sector. É que tal como noutras áreas tecnológicas, é muito difícil contratar para o segmento aeroespacial.

A multinacional foi criada em 1984 e desde início que aposta no fornecimento de soluções para o Espaço. Aeronáutica, Defesa, Segurança e Transportes são outras indústrias cobertas, mas as “tecnologias espaciais” são, atualmente, responsáveis por mais de metade das receitas do grupo, referiu Alberto Pedro, diretor-geral da GMV em Portugal, num encontro com jornalistas esta quarta-feira, em Lisboa.

Estratégia de Portugal para o Espaço precisa de atrair empresas e outros parceiros
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Do negócio da GMV fazem hoje parte sistemas de planificação e controlo de missões espaciais, navegação por satélite e posicionamento de precisão, processamento e exploração de dados de observação da Terra, sistemas embarcados de condução, navegação e controlo (GNC), e software crítico.

Entre os projetos para o Espaço em que participa destacam-se os sistemas de navegação por satélite Galileo e EGNOS, os programas de observação da Terra e meteorologia Copernicus, Ingenio/Paz, MTG e EPS SG, o programa de exploração de Marte Exomars ou a colaboração no desenvolvimento de tecnologia chave para os lançadores ARION 1 e ARION 2.

A partir de Portugal a empresa é fornecedora de referência (e às vezes líder de mercado) da Agência Espacial Europeia, da EDA ou da EMSA, Eurocontrol. Muita da tecnologia sai dos dois centros de excelência que mantém no país, um na área da segurança marítima e outro na área da aeronáutica, este último “com muitos aspectos que se aplicam ao sector aeroespacial”.

Os sistemas de navegação por satélite Galileo e EGNOS e o programa Copernicus são alguns dos projetos a que a equipa de cerca de 100 portugueses dá apoio, mas há também projetos na área da telemática.

Sobre a qualidade dos recursos portugueses os elogios são muitos, mas tal como noutras áreas sobressai a escassez dos mesmos. “Temos uma vantagem a nível europeu que é de facto o ensino em Portugal ser verdadeiramente bom: os recursos saem com a qualidade que precisamos. A preparação está ao mais alto nível”, garantiu Teresa Ferreira. Só que a falta de recursos é imensa, acrescentou a responsável. “Recrutar é difícil e já nem achamos que vamos recrutar especificamente aquilo que precisamos, já consideramos que exista um processo de aprendizagem. É complicado porque estamos ligados a algumas áreas em que há pleno emprego”.

Entre os talentos portugueses que se destacaram na GMV está João Lousada, engenheiro de operações de voo e um dos controladores da Estação Espacial Internacional, que trabalha a partir da Alemanha e que vestiu recentemente o fato de astronauta com viagem marcada para Marte, na missão análoga AMADEE-18.

Nota de redação: Foi alterado o terceiro parágrafo, para enumerar os principais projetos espaciais em que a GMV participa.

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