No seminário da APDC dedicado ao tema da mobilidade vários representantes da indústria descreveram as principais soluções hoje disponíveis no mercado e apontaram algumas opiniões especificamente dirigidas ao mercado português.



Virgínia Teixeira da Siemens Mobile, key note address do painel Plataformas Tecnológicas: Wi-Fi Público, UMTS, WiMAX, considera que a janela de oportunidade do Wi-Fi está concentrada nos próximos dois a três anos, sendo provável que após essa altura a tecnologia sem fios seja ultrapassada por concorrentes como o WiMAX ou o UMTS. Contudo, a responsável acredita que em Portugal estão reunidas as condições para que o Wi-Fi desempenhe o papel que lhe é devido, assumindo-se como uma tecnologia complementar, dirigida a públicos com necessidades específicas de utilização.



"A história tem demonstrado que na Europa as tecnologias fixas têm uma curva de crescimento relativamente lenta, ao contrário do que sucede com as tecnologias móveis", considerou a responsável em declarações ao TeK à margem da apresentação. Ainda assim, Virgínia Teixeira não acredita que o Wi-Fi passe sem ser notado, uma vez que foi já dado o primeiro passo para o seu sucesso: atraiu a atenção dos principais operadores que por crença ou arrastamento definiram já as suas ofertas.



Virgínia Teixeira aponta, no entanto, algumas limitações à expansão ou popularização da tecnologia e considera que os operadores deveriam investir mais na divulgação do produto, apresentando-o como oferta dirigida a públicos específicos e integrada com outras tecnologias como o ADSL ou UMTS.



Frederico Carvalho, responsável da Intel em Portugal sublinhou a fiabilidade da tecnologia e o facto da larga maioria dos equipamentos portáteis vir hoje equipada com placas WLAN, que permitem ao utilizador aceder à Internet sem fios. Contudo, lembrou que ao nível do mercado português o sucesso do Wi-Fi será necessariamente condicionado pela fraca penetração de Internet e pouco familiaridade com o PC, o que torna incompreensível para muita gente a necessidade de mobilidade. Frederico Carvalho adiantou ainda que, segundo as previsões da Intel, em 2007 cerca de 90 por cento dos PCs terão já integrada conectividade wireless.



Sérgio Luís da Convex, entidade que desenhou e gere a infra-estrutura Wi-Fi do Parque das Nações, o maior espaço coberto por Internet sem fios no país, revelou que entre Novembro de 2003 e Março de 2004 acederam a esta rede 2800 utilizadores, o que representará cerca de 40 mil sessões. Os números registados nesta fase piloto, que entretanto terminou, são para este responsável uma prova do sucesso do projecto.



Virgínia Teixeira considerou ainda que os utilizadores portugueses são bastante disponíveis para as novas tecnologias o que pode constituir um ponto a favor dos operadores na apresentação de novas ofertas que, ainda assim, devem ser de fácil utilização.



Os responsáveis referiram-se ainda a tecnologias emergentes como o UMTS e o WiMAX que deverá ter um crescimento, em termos globais, mais acelerado que o inicialmente previsto. Dados apresentados pela Siemens apontam para que a barreira dos mil milhões de clientes será atingida pelo UMTS quatro anos antes do que foi conseguido pelo GSM - no período de 2002 a 2010.



No que respeita ao WiMAX a interoperabilidade entre standards que a tecnologia deverá proporcionar, juntamente com a maior largura de banda e espaço de cobertura - face ao Wi-Fi - são factores que contribuíram para aumentar a expectativa relativamente às primeiras experiências comercias. O standard que permitirá desenvolver os primeiros produtos comercias em cima da tecnologia deverá estar concluído em Junho e os primeiros produtos devem chegar ao mercado em 2005.

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