A Quarkson é uma empresa portuguesa que está sediada no Barreiro e que desenvolve drones, os SkyOrbiter. A tecnológica está focada em dois tipos de plataformas: uma de aeronaves que voam a baixa altitude (LA) e outra de aeronaves que operam em grande altitude (HA). Enquanto os modelos LA funcionam a combustível fóssil, os HA trabalham a energia solar.



E é no novo modelo SkyOrbiter LA25 que recai parte das esperanças da empresa: tem capacidade para voar durante duas semanas sem necessidade de reabastecimento. A grande autonomia do drone, que tem capacidade para dar a volta à Terra com um único tanque de combustível, acaba por ser o grande factor diferencial.



Por causa desta característica o LA25 pode ser usado para vários fins como controlo de fronteiras, vigias florestais ou missões de reconhecimento de longa duração. “A grande vantagem é poder ser lançado a partir de Portugal e em algumas horas está no Atlântico. Pode lá ficar dois ou três dias e regressar”, explicou o fundador da empresa, Miguel Silva, em conversa com o TeK.



Mas o maior potencial pode estar no uso do drone como uma plataforma de comunicações para, por exemplo, levar Internet até locais onde ela não existe. E como o apetite por este segmento de mercado tem sido grande...



A Google e o Facebook disputaram recentemente a empresa Titan Aerospace, que no conceito acaba por trabalhar da mesma forma que a Quarkson. A Google acabaria por concretizar o negócio. A tecnológica de Mountain View também tem o Project Loon. O Facebook e outras grandes empresas de Internet, como a Amazon, continuam no mercado à procura de soluções semelhantes. Porque quando mais pessoas estiverem online, mais potencial têm os seus serviços.



O fundador da Quarkson não afasta a hipótese de aquisição por parte de uma grande multinacional, mas tudo dependeria das condições de crescimento que fossem asseguradas, isto porque o objetivo da empresa é estar mais numa linha de exploração.

Por exemplo, para um território com a dimensão de Portugal, a Quarkson estima que seriam precisos cerca de cinco drones, além do restante equipamento que compõe o ecossistema, como uma central de controlo, para levar Internet a todo o país. Mais drones seriam necessários caso o número de utilizadores e o uso de Internet também aumentasse.



Certo é que o futuro da Quarkson não se faz sozinho.



Miguel Silva explica que o protótipo está construído e funcional, esperando agora por uma resposta do Governo para que possam avançar com a próxima fase de testes. Isto porque o SkyOrbiter LA25 precisa de ir para uma pista de aviação – um aeródromo não apresenta as mesmas condições – onde a sua envergadura de 25 metros possa ser testada em pleno.



O Governo já respondeu ao pedido da jovem empresa portuguesa e já está agendada uma reunião com um Ministério – o responsável da Quarkson preferiu não confirmar qual.



O porta-voz da Quarkson diz que atualmente faltam parceiros e investidores à empresa, mas estes podem chegar assim que for feito o voo de teste no qual o Governo pode ser decisivo. “Sem o apoio do Governo não podemos avançar”, reiterou o fundador.



A Quarkson é composta por uma dezena de pessoas, numa equipa que é 100% portuguesa. A génese da empresa remonta a 2010, ainda com outro nome, mas esta nova fase da vida da startup começou em novembro de 2013.

Rui da Rocha Ferreira


Escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico

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