A internacionalização das tecnológicas portuguesas foi definida como uma meta da ANETIE quando Armindo Monteiro assumiu a presidência da associação que representa o sector em Portugal, e mais de ano e meio depois a linha estratégica permanece consistente.

Na semana passada um estudo realizado em conjunto com a Inova-RIA mostra que há ainda muito que fazer nesta área, embora mais de metade das tecnológicas portuguesas já tenham negócios no estrangeiro e cerca de 17% admitam realizar fora de portas a maior parte da sua faturação.

Em entrevista ao TeK Armindo Monteiro explica o que tem sido feito para apoiar as iniciativas de internacionalização do sector e aponta as principais oportunidades em termos geográficos e de produtos e serviços.

TeK: Na atual conjuntura económica, em que as oportunidades de investimento em TI em Portugal são cada vez mais curtas, é de maior relevância a estratégia de internacionalização para as tecnológicas portuguesas?
Armindo Monteiro:
No sector das TICE, como em muitos outros aliás, as empresas devem assumir uma vocação global. Com um mercado interno exíguo e um tecido produtivo nacional pouco qualificado, as empresas do setor necessitam de se internacionalizar para conquistarem novos mercados, aumentarem os volumes de vendas, gerarem mais receitas, ganharem notoriedade corporativa, desenvolverem soluções mais inovadoras e estabelecerem parcerias que se traduzam em valor acrescentado. Neste sentido, a internacionalização tem de facto grande relevância estratégica para as tecnológicas portuguesas.

[caption]Armindo Monteiro, president da ANETIE[/caption]

A ANETIE foca principalmente o mercado do Brasil e de Moçambique na lista de oportunidades. Angola ainda está neste mapa? E os países de Leste da Europa?
Armindo Monteiro:
A ANETIE não está a descorar o mercado angolano. De resto, muito pelo contrário. Angola foi, aliás, um dos países onde a nossa associação organizou missões empresariais, designadamente no âmbito da última visita oficial do Senhor Presidente da República ao território. O mercado angolano é, de facto, uma das prioridades da estratégia de internacionalização do sector gizada pela ANETIE.
Angola é já um mercado importante para o sector das TICE e tem ainda uma larga margem de progressão, tantas são as potencialidades de investimento que encerra. Em nossa opinião, mais do que um bom mercado para exportar, Angola é um destino promissor para investir. Trata-se de um país com elevados índices de crescimento económico e flagrantes carências ao nível das TICE, sendo os negócios bastante facilitados pela partilha da língua, pelas relações históricas entre as duas nações e pelas afinidades culturais.
Também os países do Leste merecem a atenção da ANETIE, tendo já sido realizada uma missão empresarial à República Checa. Contudo, estes mercados exigem soluções tecnológicas menos amplas, por um lado, e não têm as mesmas afinidades culturais que nos aproximam dos PALOP, por outro. Portanto, é necessária uma abordagem diferente. Isto não significa, no entanto, que os mercados do Leste não apresentem boas oportunidades de negócio. As oportunidades existem, até porque esses países ainda estão num processo de desenvolvimento tecnológico diferente do resto da Europa.

TeK: Neste destaque à internacionalização das tecnológicas portuguesas feito pela ANETIE, que foi definido como uma prioridade da nova direção, qual o trabalho de apoio feito pela associação?

Armindo Monteiro:
O apoio à internacionalização prestado pela ANETIE passa, desde logo, pela organização de missões empresariais, com as quais se procura que as empresas entrem em mercados de grande potencial, diversifiquem os países de destino das exportações e estabeleçam parcerias locais de negócio. No âmbito destas missões, a ANETIE trata das questões logísticas da viagem, fornece informação economicamente relevante sobre os mercados em causa, define um roteiro de visitas com interesse estratégico para as empresas, organiza a participação em mostras tecnológicas e promove o networking com entidades públicas, associações empresariais, investidores e empresas locais.
Para além deste apoio no terreno, a associação organiza eventos de análise e debate de questões relacionadas com a internacionalização, sendo um caso flagrante disso mesmo a 10.ª Conferência ANETIE, subordinada ao tema “Alavancar a Lusofonia nas TIC”.
Há que salientar também a realização do Estudo “Análise do Comportamento das Empresas Portuguesas de Tecnologias de Informação e Eletrónica face à Internacionalização”, um estudo promovido pela ANETIE e pela INOVA-RIA – Associação de Empresas para uma Rede de Inovação em Aveiro. Como o nome indica, o estudo faz um retrato pormenorizado do setor português das TIE e, em particular, do seu nível de internacionalização e das expectativas das empresas nesta matéria.
Importa ainda referir a recente criação da marca LOGINPT, instrumento fundamental na estratégia de promoção da internacionalização desenvolvida pela ANETIE. A LOGINPT reúne um conjunto de empresas tecnológicas nacionais, posicionadas no mercado internacional e responsáveis pela implementação de projetos inovadores e diferenciadores a nível mundial. O objetivo deste grupo de empresas é abordar os mercados internacionais de forma harmoniosa, conjunta e complementar, designadamente agregando soluções, serviços e produtos que possam ser muito mais do que a simples soma das partes. Reunidas nesta plataforma, as empresas podem contornar mais facilmente as dificuldades inerentes aos processos de internacionalização/exportação.
Acresce que, na sua atividade diária, a ANETIE presta aconselhamento em matérias relacionadas com a internacionalização de empresas tecnológicas, sempre que solicitada para tal por associados e demais empresários do setor.

TeK: Quais as principais recomendações deixaria a uma empresa que pretende internacionalizar o negócio?
Armindo Monteiro:

Num processo de internacionalização, as empresas devem conhecer muito bem o mercado onde pretendem operar, detetar as oportunidades que este proporciona, perceber como podem ser minorados os riscos inerentes ao investimento, efetuar o levantamento da legislação aplicável ao negócio, posicionar com rigor produtos/serviços, apostar nos fatores críticos de competitividade (qualidade, inovação, diferenciação, criatividade, marca…) e eventualmente estabelecer parcerias locais.

TeK: Acredita que existem oportunidades para empresas de todas as dimensões ou para as mais pequenas os benefícios podem não justificar perante os riscos e os custos de investimento na internacionalização?

Armindo Monteiro:
Obviamente que, para concretizar uma estratégia de internacionalização, as empresas têm de reunir determinadas condições: financiamento, produtos/serviços competitivos internacionalmente, competências de gestão, capacidade de distribuição, marca, massa crítica interna, etc. Ora em muitas empresas, independentemente da dimensão, tal não se verifica, o que desaconselha a via da internacionalização.

TeK: Identificaram algumas áreas específicas como mais potencial na comercialização de soluções de TIC de acordo com os países alvo na internacionalização? É mais relevante a venda de serviços ou de soluções/software/hardware?

Armindo Monteiro:
Em alguns mercados internacionais, as necessidades tecnológicas vão do mais básico ao mais avançado. Neste sentido, as oportunidades de negócio abarcam desde as infra-estruturas de base, aos serviços e soluções informáticas mais sofisticadas e de vanguarda.
Naturalmente que há mais oportunidades baseadas na inovação tecnológica – a melhor via para ganhar vantagem face à concorrência. Destaco a propósito as áreas de virtualização e de armazenamento, assim como os projetos de implementação de cloud computing. Por outro lado, há uma crescente procura de produtos e serviços de suporte à mobilidade (mobilidade/wireless, smartphones e tablets, por exemplo). Saliento ainda os produtos e serviços destinados à implementação de projetos web 2.0, bem como as áreas de sourcing (information technology outsourcing, business process outsourcing e managed services), segurança, comunicações unificadas, open source e customer relationship management.

Escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico

Fátima Caçador

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