A evolução do sector de Compra Coletiva



Por Dalber Candido*



Embora não estejamos na situação de apogeu que se vivia há alguns anos, o mercado de compras coletivas continua de vento em popa. Na fase de maturidade em que se encontra, eu poderia aventurar-me a prever algumas das mudanças que vão ocorrer no futuro próximo. Arriscaria mesmo identificar o que, para mim, serão as novas tendências deste mercado, no curto e no longo prazo... mas parece-me mais lógico (e prudente) começar pelo princípio e deixar isso para outra ocasião.



Como chegamos até aqui?
Para responder, é preciso definir, primeiro, o que é compra colectiva. A compra colectiva não é nada mais do que a compra e venda de produtos (ou serviços) com descontos expressivos, com a única condição de que exista um número mínimo de compradores a manifestar intenção de compra, para que se "active" a oferta e esses compradores possam desfrutar dos referidos descontos. Hoje em dia, os sites de compras coletivas misturam o conceito anterior com o das chamadas ofertas do dia, que são produtos ou serviços que, por regra, são vendidos durante um período de tempo determinado, que normalmente varia entre 24 e 48 horas.


Tendo clarificado estes dois conceitos, voltemos um pouco atrás no tempo. O modelo de compras colectivas, tal como hoje o conhecemos, começou por ser popularizado com o lançamento da Woot, em meados de 2004. Embora o serviço oferecido não fosse, na altura, uma novidade (tratava-se de uma versão modificada dum modelo usado por alguns sites da época dourada dos pontocom, como o uBid) ganhou o mérito de ter sido o primeiro site que aplicou com êxito o modelo actual.

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De 2004 a inícios de 2008 o crescimento do sector foi modesto - diria mesmo discreto. Mas em Novembro desse ano nasceu o Groupon, um evento isolado que marcou o "antes" e o "depois" na evolução deste mercado. Este nascimento deu o pontapé de partida para o boom dos sites de compras colectivas que vivemos nos últimos três anos.


Muitas coisas aconteceram neste mercado entre 2009 e a actualidade. E não é por acaso que esta "janela" coincide com a crise económica mundial que estamos a viver, já que as soluções destes tipos de sites (sob a forma de descontos) são muito oportunas em tempos difíceis.



    Em termos gerais, esta evolução pode ser resumida assim:
  • A expansão e o êxito a nível mundial do modelo, principalmente na Europa e América Latina
  • A consolidação do Groupon como player número 1 do mercado a nível mundial

  • A entrada (sem grande êxito) no mercado de nomes importantes como Google (Google Offers), Facebook (Facebook Deals) ou Amazon (através do Amazon Local e da participação no Livingsocial)

  • O surgimento de importantes grupos regionais/continentais como Groupalia, Letsbonus (Europa e América Latina), Peixe Urbano (América Latina), Livingsocial (principalmente nos países de língua inglesa)...

  • O nascimento de players nacionais competitivos em cada um dos mercados (no caso de Portugal: Odisseias, Goodlife, Voucher do Sapo, etc.)

  • Uma especialização lenta por parte de parceiros que se dedicam apenas a determinados sectores, como beleza, viagens, desportos...
  • A criação de agregadores de ofertas para resolver o problema criado pelo enorme volume de sites (e também de ofertas) de compras coletivas. E, recentemente, os sistemas de inteligência sobre os utilizadores e de elevada personalização.




A fase de maturidade
Com tudo o que foi dito antes, não restam dúvidas de que o apogeu do sector já ficou para trás. Estamos a entrar numa fase de maturidade e consolidação do mercado. Neste exacto momento, em que não é tão fácil atrair novos utilizadores e é ainda mais difícil manter aqueles que já se tem, a importância da personalização (e principalmente da recolha de informação sobre o utilizador) está a aumentar de forma exponencial.

Outra coisa que todos nós sabemos é que o mercado está saturado. Mas não é preciso perder o sono com isso: ainda há muito por fazer, inovar e melhorar. É por isso que eu me sinto afortunado - por poder viver de perto esta evolução e fazer parte da mudança.

Resumindo: estamos a passar por um período mais interessante, uma fase na qual os players que se saibam adaptar não irão apenas sobreviver, mas sairão reforçados.

Enquanto isso, milhões de utilizadores em todo o mundo continuam a esperar todos os dias pelas promoções da compra colectiva nas suas inboxes ;-)



* Marketing Manager da Yunait

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