Por Iván Menéndez (*)

A combinação de clouds privadas e públicas para criar uma infraestrutura híbrida escalável é, há muito tempo, o modelo aspiracional para as TI em todos os setores. Agora, finalmente estes sonhos de cloud híbrida estão a tornar-se realidade e a serem vistos como um requisito comercial estratégico para as empresas. Em primeiro lugar, porque as barreiras à implementação estão a cair (e rapidamente), mas também, porque assistimos a uma mudança radical no pensamento que agora está a levar à adoção destas soluções, sustentada numa procura não apenas impulsionada por simples poupanças, mas para que as empresas possam aproveitar todas as vantagens inerentes da cloud híbrida que impacta estratégica e positivamente o negócio.

Não há dúvidas de que a maioria das empresas aspira à cloud híbrida, como aliás foi claramente observado pelo mais recente Nutanix Enterprise Cloud Index que, nos últimos três anos, tem encontrado consistentemente empresas que desejam tornar-se híbridas. Esta mais recente edição, de 2020, mostra uma esmagadora maioria de 86% das empresas que classifica o modelo híbrido como o seu modelo operacional preferido, com quase metade (49%) a esperar tornar-se híbrido nos próximos 3 a 5 anos.

Estes números são indicativos de que vivemos um momento de viragem na adoção da cloud híbrida, reforçada ainda mais pelos resultados que mostram que os blocos de construção necessários estão agora a tornar-se mais comuns, principalmente em bases de dados locais, onde 92% dos entrevistados relataram ter mudado ou planeado migrar da infraestrutura antiga para infraestrutura hiperconvergente (HCI).

Mas importa perguntar, porque é tão significativo? Porque a tecnologia por detrás das grandes ofertas da cloud pública da Amazon, Google e Microsoft é baseada nos mesmos princípios da HCI. Além disso, agora disponível para todos, a HCI não é mais vista apenas como uma forma de reduzir o custo e a complexidade das TI, mas como um facilitador chave quando se trata de construir clouds privadas escaláveis e facilmente geridas, como parte de um modelo de cloud híbrida.

Mas não ficamos por aqui. O relatório da Nutanix também encontrou evidências de adoção acelerada da tecnologia cloud em todas as suas formas, incluindo uma vontade crescente de combinar clouds privadas e públicas. Cerca de 34% das empresas questionadas, por exemplo, disseram que este ano estavam a executar mais aplicações na cloud pública, com quase o mesmo número (32%) a executar mais em clouds privadas. Apenas 15% contrariam a tendência ao executar mais aplicações fora das clouds.

Poderíamos pensar que o principal fator por detrás destes números é o financeiro, uma vez que, na base de dados, por exemplo, há uma poupança bem reconhecida que pode ser obtida com a substituição de servidores e redes de armazenamento, por hardware HCI mais simples, capaz de oferecer escalabilidade semelhante à da cloud, assim como flexibilidade. Da mesma forma, é possível poupar ao passar do financiamento Capex associado às bases de dados, para o modelo Opex de plataformas de cloud pública.

Mas o custo, no entanto, não é a principal preocupação quando se trata de escolher a infraestrutura de TI. Quando questionadas sobre os motivos pelos quais as empresas estão a alterar os seus modelos de implementação (seja qual for o processo ou direção), pouco mais de um quarto (27%) colocou a poupança no topo da lista. Na verdade, a maioria estava muito focada em alcançar melhores resultados de negócios, tendo metas como a flexibilidade para atender aos pedidos de negócios (55%), a capacidade de melhorar o suporte ao cliente (46%) ou ser capaz de apoiar as equipas em trabalho remoto (46%). Também a segurança tem aqui um papel relevante, sendo um fator ainda visto como a principal motivação por 40% dos entrevistados.

Na verdade e em teoria, para cumprir um ou todos estes objetivos poderíamos simplesmente mudar para HCI na base de dados ou, por outro lado, construir uma cloud privada ou usar apenas clouds públicas para a TI empresarial. Assim sendo, porque assistimos à tendência de unir as soluções para a construção de uma cloud híbrida?

A resposta é muito simples e é apenas uma questão de escolha. Mais especificamente, é sobre ter a flexibilidade de se concentrar na entrega de resultados de negócios estratégicos de forma rápida, fácil e - acima de tudo - sem a necessidade de nos mantermos dentro das limitações de um modelo de TI de suporte específico.

Como outros estudos anteriores da Nutanix mostraram, as empresas expressam consistentemente o desejo de poderem executar cargas de trabalho na infraestrutura que lhes seja mais adequada, com base numa variedade de critérios, que vão do aumento da segurança à incorporação rápida de novas aplicações, ou ainda alcançar novos mercados com diferentes necessidades. Seja qual for a necessidade, o ideal há muito identificado é a capacidade de movimentar cargas de trabalho de forma dinâmica, com base não apenas em questões de custo e tecnologia, mas tendo em conta as pressões do time-to-market, necessidade de lidar com picos de procura e uma diversidade de variáveis comuns a diferentes empresas.

A mudança para o foco na obtenção de melhores resultados de negócios, ao decidir qual modelo de TI a adotar, apenas aumenta a necessidade por escolher uma destas opções. Mas a concretização só pode ser totalmente alcançada com a mudança para a cloud híbrida. Esta mudança pode ser implementada pela combinação de infraestruturas de cloud privada e pública capazes de suportar a fluidez com interfaces e gestão comuns, além de ter uma segurança uniforme em plataformas de cloud pública e privada.

Por todas estas razões, as empresas aspiram à cloud híbrida e é por isso que agora estamos num ponto crítico para transformar essa aspiração em ação, à medida que as empresas têm uma maior perceção de que a cloud híbrida é vantajosa não apenas para o orçamento, mas para os negócios.

(*)  Country Manager da Nutanix para Portugal e España

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