Por Candy Flores de Freitas e João Moreira (*)

E se enquanto caminhasse pela baixa Lisboeta recebesse uma notificação no seu telemóvel de que está prestes a "pisar" numa história de "outro mundo"?

Aceitava a oportunidade?

E se ao se "sintonizar" nessa mesma história descobrisse que não conseguia ver este outro mundo mas podia ouvi-lo tão vividamente como se estivesse mesmo à sua volta? Com todas as suas personagens e veículos, animais e objectos reagindo a cada um dos seus movimentos de forma tão perfeita que se fechasse os olhos podia jurar que estava lá...

Parece-lhe Ficção-Científica?

Na realidade, esta é a descrição da aplicação XRWalkables, o mais recente desenvolvimento da Dimmersions, uma startup de Tecnologias Imersivas, especialista em Som, com sede na Ilha da Madeira. Ainda em fase de desenvolvimento, esta aplicação integra uma nova categoria de Aplicações Imersivas que fazem uso de Som Espacial para "aumentar" a nossa realidade ou até mesmo criar novas realidades que nos levam para outras localizações, mundos ou dimensões.

Mas o que é esta "coisa" do Som Espacial, poder-se-á estar a perguntar?

O termo Som Espacial engloba um conjunto de várias técnicas de áudio que podem ser usadas para criar "espaços sonoros" nos quais podemos facilmente identificar a posição em 3D das fontes sonoras e interagir com elas, bem como ouvir as dimensões e características do espaço que "habitam". É assim usado para definir um tipo de áudio que existe a toda a nossa volta e pode ser explorado de forma interactiva, distanciando-se assim do som "Stereo" (onde só podemos identificar os sons de acordo com a sua lateralidade e profundidade nos 180º à nossa "frente") e do som "Surround" (onde já podemos identificar os sons em 360º à nossa volta mas não existe verticalidade).

Originalmente do domínio exclusivo do mundo dos Videojogos, o "Som Espacial" ganhou nova vida quando os motores de jogo começaram a ser utilizados para criar experiências interactivas para "Óculos de Realidade Virtual" onde a imersão do utilizador é a primeira e única prioridade. Com a evolução das câmaras de captura 360º, começaram também a surgir os primeiros vídeos com Som Ambisónico permitindo assim a captura de uma esfera de som em paralelo com a esfera de imagem e explorar ambos em simultâneo, recriando pequenos momentos no tempo e no espaço de forma quase perfeita.

Eis que chegamos a 2020 e com a enorme capacidade de processamento existente nos nossos smartphones torna-se possível a computação deste tipo de áudio no nosso "bolso" usando o smartphone como um género de "microfone" capaz de captar "sons de outros mundos" ou melhor ainda fazendo uso de um dos (ainda) poucos Headphones com sensores de posicionamento permitindo-lhe explorar estas experiências com o seu corpo.

Com estas possibilidades, o exemplo acima torna-se apenas a "ponta do Iceberg".

Imagine poder visitar a catedral de Milão e ouvir Andrea Bocelli cantar como se estivesse lá naquele exacto momento, com todos os detalhes acústicos da magnífica "Duomo de Milano" incluídos? Entrar no estádio de Wembley e ouvir os Queen a tocar “Bohemian Rhapsody” durante o Live Aid? "Sentar" Angelina Jolie na sua sala enquanto ela lhe conta tudo sobre Hollywood e a sua vida filantrópica? Visitar Auschwitz com um dos sobreviventes do holocausto guiando-o numa caminhada por todo o complexo enquanto conta a sua história? Ou o seu AudioBook preferido com uma "performance" que acontece a toda a sua volta?

Tudo isto e muito mais está agora ao nosso alcance e o Som Espacial tornar-se-á com toda a certeza um dos novos "standards" nos próximos anos.

O Futuro é Hoje!

(*) Candy Flores de Freitas é  CEO Dimmersions e João Moreira é o CTO da startup de tecnologias imersivas que quer criar soluções futuristas que os negócios possam usar hoje. Website: www.dimmersions.com

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