É a primeira vez que a CES tem em palco os presidentes da Federal Trade Commission (FTC) e da Federal Communication Commision (FCC) , e o presidente e CEO da CTA, Gary Shapiro foi o interlocutor numa conversa que se pretendia cândida num panorama de mudanças tecnológicas rápidas, com perguntas e respostas diretas num diálogo “um a um”, mas apesar de algumas provocações, alguns dos grandes temas foram o “elefante na sala”, não sendo abordados por nenhuma das partes.

A privacidade, a regulação nesta área e o interesse numa legislação mais moderna, e federal que abranja todos os estados norte americanos, deram início à conversa com Joseph Simons, presidente da FTC há três anos e que vem pela primeira vez à CES. O executivo garantiu que está preocupado com a garantia da capacidade das empresas concorrerem num mercado livre, mas atento à proteção dos consumidores.

“Queremos fazer legislação de forma a não reduzir a concorrência e preocupamo-nos com leis que possam dar mais poder às grandes empresas, desfavorecendo os pequenos players, e há evidências de que o RGPD está a fazer isso na Europa […] Não queremos que isso aconteça”, garantiu o presidente da FTC.

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O executivo acredita que o facto das maiores empresas de tecnologia do mundo estarem localizadas nos Estados Unidos não é um acaso, e que isso se deve a um ambiente económico favorável, que promove a concorrência e a inovação.

“Não vamos atrás das empresas por serem grandes e bem sucedidas, têm de fazer alguma violação”, garantiu o presidente da FTC que tem estado à frente de algumas investigações a empresas como o Facebook, multado em 5 mil milhões de euros, e a Google.

A FTC tem um grupo de trabalho dedicado à área da tecnologia que está a investigar o Facebook e “queremos fazer isso de forma cuidada”, referiu Joseph Simons, mas a organização está também atenta a fusões e a temas como a área de cuidados de saúde, algumas das áreas a que tem dado prioridade.

E como podem as empresas saber quando estão “a pisar o risco”? “Na FTC não fazemos aconselhamento, mas partilhamos orientações, e vamos ter uma espécie de guia para as tecnológicas sobre a forma como investigamos”, referiu, sem mencionar concretamente os temas da segurança e privacidade ou a violação das regras da concorrência.

Do fim da neutralidade da internet à liderança no 5G

Depois da conversa com o presidente da FTC foi a vez de Ajit Pai, Chairman da FCC, responder às perguntas do presidente da CTA, num modo igualmente descontraído e provocador. O bloqueio à Huawei, e a possibilidade da tecnológica processar a FCC, não fizeram parte da discussão.

A neutralidade da Internet, e a imposição do fim da medida nos Estados Unidos contra o lobby da indústria de comunicações foi o primeiro tópico abordado, e Ajit Pai admitiu que isso gerou muito ódio nas redes sociais, especialmente no Twitter, mas que dois anos depois de ter acabado com a regra da neutralidade da Internet, que tinha sido imposta pela administração Obama, se pode verificar que “o céu não caiu”.

“Fazemos um balanço positivo. A velocidade aumentou, há mais investimento em banda larga, mais casas com ligações e alta velocidade e mais americanos ligados”, afirma, lembrando que havia muita gente a dizer que isto iria ser o fim da Internet

O foco agora é o 5G e as tecnologias como o WiFi 6 que podem dar mais qualidade de rede aos americanos. “É uma prioridade nacional […] Os Estados Unidos querem liderar na quinta geração móvel e acreditamos que o modelo de desenvolvimento e inovação vai ser baseado no domínio destas tecnologias”, refere.

Em relação aos problemas de segurança, o presidente da FCC diz que este é um dos focos porque a tecnologia 5G traz novos desafios na proteção das redes e da informação. “Estamos a trabalhar com parceiros em vários países para falar sobre o tema”, explicou, dizendo que tem tido reuniões internacionais e que na Primavera pretende ter aprovadas propostas de enquadramento que possam ser aplicadas de forma comum em todos os países que estiverem de acordo.

“Vamos ter uma framework de perfis de risco de equipamentos, independente do fabricante, e queremos estender isso a outros países”, afirma, sem nunca referir a Huawei que também não fez nunca parte dos tópicos levantados pela CTA.

Apesar do embargo económico e tecnológico à Huawei, que impede as empresas norte americanas de negociar com a tecnológica chinesa e cuja decisão final está agora protelada até fevereiro de 2020, a companhia é novamente uma das expositoras na CES, onde mostra os smartphones e outros equipamentos, mas não a tecnologia de infraestrutura de telecomunicações.

O SAPO TEK está a na CES 2020 em Las Vegas para descobrir as principais tendências e os gadgets mais interessantes, mas também os mais estranhos e pode acompanhar aqui todas as notícias que vamos trazendo em direto de Las Vegas.

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