“Não consigo respirar”: as últimas palavras de George Floyd ecoam nas redes sociais e nas ruas de várias cidades norte-americanas, lembrando todas as mortes provocadas pela violência policial racista nos Estados Unidos.

O assassinato do homem afro-americano de 46 anos, sufocado por um polícia em Minneapolis no final de maio após ter sido acusado de usar uma nota possivelmente falsa, gerou uma onda de contestação e de protestos no país. Durante os dias que seguiram, circularam na Internet inúmeras fotos e vídeos que demonstram a brutalidade da violência policial contra os manifestantes.

Perante o caso que não está a deixar o mundo indiferente, são várias as empresas tecnológicas e CEOs que estão a manifestar o seu apoio pelos manifestantes que lutam contra a injustiça, a discriminação racial e a resposta da polícia e até de Donald Trump, que partiu para as redes sociais, ameaçando repressões violentas.

A Google.org, o ramo filantrópico da gigante de Mountain View, organizou uma campanha de doações destinadas às organizações que combatem a injustiça racial. Num memorando interno a que a imprensa internacional teve acesso, Sundar Pichai indicou que por qualquer donativo feito por colaboradores, a empresa faria outra contribuição até 10.000 dólares.

A homepage do motor de busca da Google conta também com uma fita negra, em memória de todas as mortes causadas pela violência policial.

O YouTube vai também doar um milhão de dólares a organizações que lutam pela equidade racial. Num Tweet, a empresa afirma que está inteiramente solidária com quem protesta contra o racismo e violência, lembrando que “quando um membro da comunidade é afetado, todos também o são”.

Contudo, o anúncio do YouTube gerou alguma controvérsia no Twitter. Vários utilizadores relembraram a falta de políticas na plataforma no que toca à presença de vídeos realizados por supremacistas brancos ou neo-Nazis.

O CEO do Facebook também manifestou a sua opinião nas redes sociais, lembrando que os Estados Unidos ainda têm um longo caminho a percorrer para dar a todos os cidadãos uma vida livre com dignidade e paz.

“Nos estamos inteiramente solidários com a comunidade afro-americana e todos os que lutam para obter justiça em honra de George Floyd, Breonna Taylor, Ahmaud Arbery e de muitos mais nomes que não podem ser esquecidos”, afirmou Mark Zuckerberg. O Facebook comprometeu-se a doar 10 milhões de dólares a grupos recomendados pelos funcionários e assessores de direitos civis da empresa.

Já Evan Spiegel, CEO da Snap, lembrou num memorando interno que “por cada minuto que nos mantenhamos em silêncio face ao mal, estamos a apoiar quem o pratica”. No documento a que o The Information teve acesso, o responsável apela à mudança a nível governamental. A empresa vai fazer doações a organizações a favor da equidade racial, embora Evan Spiegel lembre que os donativos não serão suficientes para mudar a situação.

“A filantropia privada pode ajudar a acelerar o processo, mas sozinha não conseguirá colmatar o profundo fosso de injustiça. Temos de fazê-lo unidos como uma nação. Unidos na luta pela liberdade, equidade e justiça para todos”, sublinhou o CEO.

Tim Cook, CEO da Apple, é uma das figuras do mundo das empresas tecnológicas que tem vindo a manifestar-se em relação a diversos assuntos sociais e o assassinato de George Floyd não foi uma exceção à regra. Num memorando interno a que a Bloomberg teve acesso, o responsável sublinhou que a “discriminação racial de outrora ainda está muito presente hoje”, em especial, no sistema de justiça criminal.

Além de a empresa fazer doações à Equal Justice Initiative e a outros grupos semelhantes, a Apple Music juntou-se à campanha Black Out Tuesday, organizada pela indústria musical em apoio ao movimento Black Lives Matter.

Apple Music | Black Out Tuesday

Devido aos protestos em várias cidades norte-americanas, a Apple está também a encerrar temporariamente as suas lojas. Ao website 9to5Mac, um porta-voz da empresa afirmou que a decisão se relaciona com bem-estar e segurança das equipas. Na Internet, circulam também imagens que demonstram as barreiras construídas em torno das lojas da empresa da maçã.

Nos Estados Unidos, a Uber e a Lyft decidiram também suspender os seus serviços em cidades como Minneapolis, São Francisco, Oakland e Los Angeles. Ao Business Insider, um porta-voz da Uber explicou que tem equipas em cada uma das localizações que estão a reunir esforços para adaptar os serviços às necessidades locais. A empresa afirmou ainda que está a usar a sua aplicação para relembrar aos condutores que os serviços deverão ser apenas utilizados em casos de emergência nas localidades em questão.

Embora não tenha feito alguma declaração pessoal em relação aos protestos, Jeff Bezos, CEO da Amazon, partilhou no Instagram uma peça escrita por Shenequa Golding sobre o quão difícil é manter o profissionalismo quando se assiste à morte de inúmeros homens e mulheres afro-americanos.

A empresa também partiu para o Twitter onde declarou que “o tratamento desigual e brutal das pessoas afro-americanas tem de parar”. No entanto, foram vários os utilizadores que protestaram contra a hipocrisia da empresa, conhecida por ter práticas que prejudicam os colaboradores, lembrando que as tecnologias de reconhecimento facial da Amazon Web Services já foram usadas pelas autoridades nos Estados Unidos.

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A Sony anunciou recentemente o adiamento do direto que estava planeado para o próximo dia 4 de junho onde seriam revelados alguns dos jogos que vão chegar à PlayStation 5. Numa mensagem publicada no Twitter, a empresa escreveu que apesar de saber que existem “jogadores ansiosos por ver os novos jogos da PS5 [...] esta não é a melhor altura para celebrar”. A Sony reconhece que o espaço mediático deve, neste momento, ser ocupado por outras vozes.

A tecnológica fez também um post de apoio ao movimento Black Lives Matter. “Denunciamos o racismo sistémico e a violência contra a comunidade negra. Vamos continuar a trabalhar em prol de um futuro empático e inclusivo e estaremos ao lado dos criadores negros, dos jogadores, dos trabalhadores, familiares e amigos”, pode ler-se no tweet.

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