Devido à pandemia da COVID-19 muitas empresas continuam em teletrabalho, adaptando o quotidiano profissional às suas necessidades. As gigantes tecnológicas não estão isentas deste cenário e vão prolongar pelo menos até ao final do ano o trabalho remoto, sobretudo os trabalhadores que consigam fazer as suas funções a partir de casa.

De forma a ajudar outras empresas e entidades na situação de trabalho remoto, Mark Zuckerberg, o líder do Facebook, decidiu transmitir o encontro semanal interno, onde são discutidos os planos para o teletrabalho. Apesar de ser um encontro normalmente destinado aos empregados, o dono da rede social refere na sua página de Facebook que pretende partilhar publicamente a sessão, para o caso das suas pesquisas e abordagens serem úteis a outras organizações e empresas tirarem notas sobre como o futuro laboral será…

Para o Facebook, cerca de 95% dos trabalhadores estão a trabalhar remotamente e caso queiram podem fazer até ao final do ano, para já, refere Mark Zuckerberg na sua intervenção. Mas passado este período, que poderia referir como experimental, vai mudar o futuro do trabalho à distância.

“Apesar de terem passado dois meses, desde o início das empresas começarem a trabalhar remotamente, ainda existem algumas questões por responder”, refere. O plano que a empresa tem é contratar remotamente, sobretudo pessoas que nem se podem deslocar. Faz sentido assim promover a contratação remota, refere. Existem algumas nuances, refere o CEO do Facebook, prevendo que nos próximos 5 ou 10 anos, 50% das pessoas podem estar a trabalhar remotamente. Mas considera que não é um objetivo da empresa, mas uma previsão, sustentada pelos dados que dispõe.

“Produtos podem ser desenvolvidos em meses, mas uma cultura de empresa pode demorar anos a ser formada”, destaca de forma otimista a direção que está a tomar o trabalho remoto. Considera que não é necessário, para já, chegar a todas as conclusões sobre o futuro, mas a sua abordagem no Facebook é continuar este percurso e ir aprendendo pelo caminho.

tek facebook

“Estamos aqui para servir o mundo e a comunidade”, por isso o seu objetivo primário é fazer bem o seu trabalho, para que possa impactar todos os que o rodeiam. As razões pelo qual pensa ser positivo o teletrabalho, é porque existe muito talento espalhado, salientando que a empresa está a fazer um bom trabalho na área do recrutamento, sobretudo no Canadá.

A diversidade de pessoas é uma das preocupações na contratação, de diversas comunidades, de diferentes backgrounds. Nas empresas tradicionais, muito talento perde-se porque obriga as pessoas a moverem-se, sendo a vantagem do trabalho remoto a capacidade das pessoas estarem onde se sintam bem, num clima político positivo, e reduzindo o impacto ambiental, pela menor necessidade nas deslocações para a empresa. Além de poupar-se tempo nos transportes, as reduções nas emissões são importantes para o meio-ambiente, destaca Zuckerberg, salientando que é mais fácil fazer uma chamada de vídeo do que deslocar-se no trânsito para uma reunião.

As plataformas sociais, como o Messenger e o Workplace (que atingiu os 5 milhões de utilizadores pagos, tendo aumentado 3 milhões desde outubro de 2019), Messenger Rooms, Portal, e no futuro sistemas de realidade aumentada e virtual aproximam as pessoas, sem a necessidade do contacto físico. As aplicações estão a ser bastante requisitadas, num sinal da necessidade das mesmas no dia-a-dia das empresas em teletrabalho.

Mesmo as pessoas que estão sozinhas, e estão a trabalhar em teletrabalho, referem que a sua produtividade individual subiu, sendo tanto ou mais que antes deste ambiente de confinamento. Há necessidade do convívio, das pessoas se juntarem para brainstorms numa mesma sala, e isso é aquilo que Mark Zuckerberg refere como necessidade de trabalhar.

No entanto, refere que o balanço entre o trabalho e a vida privada estão a ser mais difíceis de gerir, o que pode ser pouco saudável no futuro, sendo outro aspeto a melhorar. Mas destaca que as marcações para as reuniões e as pontualidades, fazem as reuniões decorrer mais rápidas e produtivas.

Num questionário interno, há 20% das pessoas, que estão interessadas em continuar em teletrabalho. 60% dos inquiridos continuam a querer flexibilidade entre voltar para a empresa e trabalhar em casa, em cerca de 50% dessa balança. “Não sabemos como vai estar o escritório quando voltarmos”, refere Mark Zuckerberg, sobre os planos de regresso à empresa, quase que a referir a transformação que poderá decorrer no futuro.

Uma das suas preocupações é garantir que as mudanças para o teletrabalho não tenham desigualdades de géneros, como por exemplo, as mulheres terem de ter as preocupações domésticas. Perguntaram aos gestores como poderiam gerir as suas equipas, 30% disseram que não haveria problema, mas muitos colocaram ainda algumas dúvidas.

Ainda que prometa o teletrabalho, para Mark Zuckerberg continua a considerar que as reuniões, uma ou duas vezes a cada dois meses é importante, nem que sejam hacktons e eventos para reunir as equipas, de forma a estabelecer ligações.

E sobre as promoções, o líder do Facebook considera ser importante continuar a acompanhar as careiras e proporcionar oportunidades de reconhecimento dos trabalhadores. Ainda sobre a inclusão e o trabalho em recrutar à distância, há um risco que sublinha: se o teletrabalho é uma oportunidade, também poderá ser muito duro numa fase inicial, e por isso é preciso cuidado que as oportunidades para todos surjam rapidamente.

Outro problema diz respeito aos novos graduados, que necessitam mais experiência depois de saírem da escola. Não tem a certeza se é possível fazer isso remotamente, pois sente que normalmente as empresas não contratam nesse sentido. E isso é algo que o Facebook tem feito para dar o exemplo, e dar oportunidade a novos talentos que surjam no mercado.

A empresa ainda não fez contas a esta mudança para o teletrabalho. Ainda não sabe se os custos foram reduzidos, mas salienta que não deve ser a principal razão para a mudança de teletrabalho. Há investimentos a fazer nas pessoas, seja um bom computador, boas ligações de internet, mas também algumas deslocações para encontrar os membros da sua equipa. Até a comida, que antes era oferecida pela empresa, encontra-se agora na sua cozinha. E por isso, é necessário pensar em diferentes formas de benefícios e incentivos neste novo cenário. São aspetos que o próprio CEO da empresa não sabe ainda responder.

Para Mark Zuckerberg não há razão para deixar de contratar. Por isso, vai contratar engenheiros de nível 5+ nos Estados Unidos e Canadá. Vai tentar contratar o máximo de engenheiros que puder. No entanto, o treino remoto está fora de questão nesta fase, sendo necessário um primeiro contacto presencialmente. A empresa vai ainda construir novos HUBs, para escalar o recrutamento em cidades onde possa haver um concentrado de engenheiros, por exemplo. Vai começar com três Hubs: Denver, Atlanta e Seattle.

Nota de redação: artigo atualizado com mais informação às 19:00.

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