São cerca de uma centena as pessoas com badge da Dell em Portugal, mas o ecossistema de colaboração da gigante norte-americana por terras lusas pode chegar aos três milhares contabilizando as parcerias de diferentes níveis.

“Contratámos muita gente no último ano e as perspetivas são de contratar mais, mas não ao mesmo ritmo de até agora”, referiu Isabel Reis, diretora-geral de Enterprise da Dell para Portugal e Espanha, numa conversa com os jornalistas à margem do Dell Technologies Forum, realizado esta quarta-feira, dia 27 de junho, no Centro de Congressos do Estoril.

Gonçalo Ferreira, diretor-geral de Comercial Business para Portugal destacou que as contratações aumentaram depois da fusão com a EMC e que algumas unidades contratam mais do que outras. “A equipa cresceu em cerca de 10% desde o merge e praticamente não saiu ninguém”. Além disso, a empresa está a receber pessoas de outras Dell espalhadas pelo mundo, que decidem vir trabalhar para o escritório em Portugal. “Portugal é atrativo para colaboradores de outros países”.

O retângulo à beira-mar plantado também se tem tornado apetecível aos olhos da empresa mãe por outros motivos.  “Temos aproveitado o Hub em que Portugal se transformou com o Web Summit e temos conseguido atrair unidades de negócio dentro da Dell para realizar uma série de ações”. É o caso de um evento de data protection nos Açores e um evento internacional para o Canal, que vai realizar-se no Algarve em outubro próximo, deu como exemplos. “Este mesmo fórum foi pela primeira vez organizado pela máquina central da companhia, enquanto até ao ano passado tinha apoio internacional, mas era feito com o esforço interno”.

O reforço da equipa e a escolha para a realização de ações mundiais são encarados como um reconhecimento do valor do país. “Em Portugal a mensagem tem chegado onde é necessário, em termos tecnológicos”, considera Gonçalo Ferreira.

O país tem ganho importância em vários aspectos . “Somos grandes em muita coisa. Estamos provavelmente à frente no caminho que fazemos de transformação digital, somos early adopters em muitas tecnologias, somos inovadores em muitas coisas que lançamos em primeiro no mercado”, aponta Isabel Reis. Mas há algo em que Portugal não pode competir: “a dimensão”. E isso nota-se logo na comparação com a Espanha, mercado que também está a cargo da responsável da Dell.

“Existem obviamente diferenças entre Portugal e Espanha, não no conceito, temos clientes portugueses que estão mais à frente na transformação digital, a questão é a dimensão do mercado que tem obviamente um peso na diferença”. Associada à dimensão, vem o facto de Espanha ter muita indústria multinacional.

Economia portuguesa melhorou

Em Portugal a Dell no ano passado cresceu 40% em revenue “e em margem também, embora dependendo das áreas”, acrescentou Gonçalo Ferreira. No primeiro trimestre o crescimento já supera os 40%. E em quase todas as áreas. “Pensamos que isto tem a ver com o merge, tem a ver com o mercado e muito com a aceitação que acabou por acontecer. “O cross selling faz com que tenhamos muita aceitação”.

Isabel Reis considera que a economia melhorou, embora isso não signifique que esteja excecional. “Não é que não estejamos numa fase positiva, que não haja melhorias da economia, mas isso não se traduz em os clientes desatarem a comprar o dobro e a deixarem de discutir preços”.

Já Gonçalo Ferreira defende que enquanto o país não baixar o IRC, a economia não vai avançar. “Neste momento estamos ‘turbinados’ pelo turismo, mas a economia vai ressentir-se. Estamos novamente a gastar mais do que produzimos e não há investimento, porque ninguém investe num país onde a lei fiscal é mudada todos os anos. Qualquer país tem uma política fiscal para as empresas mais atrativa do que Portugal”.

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