Com o Governo de Donald Trump a anunciar uma série de novas tarifas recíprocas que vão taxar as importações da União Europeia (UE)  a 20%, Ursula von der Lyon, presidente da Comissão Europeia, já deixou claro que “a Europa está preparada para responder”.

A presidente do executivo comunitário afirma que as novas tarifas anunciadas pelos Estados Unidos são “um duro golpe para os negócios e consumidores por todo o mundo”, acrescentando que a UE protegerá sempre os seus interesses e valores. “Também estamos prontos para dialogar e passar do confronto à negociação”, avança Ursula von der Lyon.

Bernd Lange, presidente do Comité de Comércio Internacional do Parlamento Europeu, descreve as tarifas como “medidas injustificadas, ilegais e desproporcionais”, que “só poderão levar a uma escalada adicional de tarifas e a uma espiral económica descendente, tanto para os Estados Unidos, como para o resto do mundo”.

“A UE vai responder”, afirma. “E vamos fazê-lo através de medidas legítimas, proporcionais e decisivas”, acrescenta Bernd Lange.

Como detalhado pelo presidente do Comité de Comércio Internacional em conferência de imprensa, a UE vai agora analisar o impacto das tarifas aplicadas pelos Estados Unidos. Segundo Bernd Lange, o objetivo passa por evitar a escalada da guerra comercial, limitando o impacto das contra-tarifas, mas também o impacto para os consumidores europeus.

Por outro lado, se a guerra comercial subir de tom, a União Europeia vai também olhar para as gigantes tecnológicas norte-americanas, afirma Bernd Lange. “Diria que não é a primeira escolha, temos primeiro as nossas medidas mais ‘tradicionais’”, afirma. No entanto, “há serviços importantes, como a PayPal e outras empresas para as quais podemos pensar em contramedidas”, realça.

A Bloomberg avança que a França é um dos países que está a fazer pressão para a UE "contra-atacar" com medidas que visam as tecnológicas norte-americanas. Em entrevista à RTL radio, Sophie Primas, porta-voz do Governo francês afirma que os mecanismos de resposta às novas tarifas, assim como que produtos serão visados, é algo que ainda não está decidido.

"No entanto, também vamos atacar os serviços, por exemplo, os serviços digitais que não são taxados hoje, mas que poderiam ser", indica.

Segundo Sophie Primas, a resposta às tarifas do Governo de Donald Trump poderá estar pronta pelo final de abril, lembrando que a UE tem ao seu dispôr o instrumento de anti-coerção.

Ainda durante a conferência de imprensa no Parlamento Europeu, Bernd Lange afirmou que a UE está a discutir o uso deste instrumento, descrito como uma "bazooka", ou seja, o conjunto de medidas com maior impacto que podem ser tomadas.

Porém, o presidente do Comité de Comércio Internacional indica que a UE terá primeiro de analisar as tarifas aplicadas por Trump para perceber quais são as verdadeiras intenções dos Estados Unidos. "Temos de ser cuidadosos. [O instrumento de anti-coerção] é a arma mais forte que temos", afirma, realçando que a possibilidade de usá-lo não está fora da mesa.