Durante a recente demonstração do 5G da Vodafone em Valença, onde foi efetuado a primeira sessão de roaming 5G em mobilidade, o SAPO TEK teve oportunidade de falar com Alberto Souto de Miranda, Secretário de Estado Adjunto e das Comunicações, sobre a estratégia e calendário da comercialização da quinta geração móvel em Portugal.

Apesar do “está quase”, o Governo mantém uma posição de prudência, procurando não ceder às pressões das operadoras de telecomunicações para o arranque da tecnologia. O espectro dos 700 Mhz, ocupado atualmente pelo TDT será libertado já em junho, mas ainda falta algum tempo para o arranque do 5G…

SAPO TEK: O que falta para se começar a comercializar 5G em Portugal?

Alberto Souto de Miranda: Falta algo fundamental que é libertar a faixa do espectro dos 700 Mhz, que neste momento está alocada à Televisão Digital Terrestre, e como não pode haver interrupção do serviço, e é necessária uma preparação no terreno para a sintonia das antenas para as novas frequências, o que implica um calendário de seis meses, por todas as regiões. Todos os meses serão sintonizadas duas regiões, das 12 que foram desenhadas no país, de forma a que em junho a faixa esteja completamente libertada. É esse o condicionamento de Portugal, porque em outros países não houve esse problema e puderam arrancar mais depressa.

SAPO TEK: E a próxima fase?

Alberto Souto de Miranda: A fase seguinte, que está a ser preparada em simultâneo, é a Anacom ter o modelo da atribuição do espectro preparado: o caderno de encargos, e se for a concurso, ter o modelo de leilão igualmente preparado. Isso implica fazer o trabalho de casa, que está a ser feito neste momento, pois o governo deu orientações à Anacom para que o faça o mais rápido possível, mas tem de o fazer com tempo de qualidade. Não pode ser um processo precipitado, porque um mau concurso ou mau leilão poderá ter consequências negativas. Nem que precise de mais dois ou três meses para não se libertarem instrumentos de adjudicação que possam depois ser “perversos”.

SAPO TEK: Existe um desconforto entre a Altice, atual fornecedora de TDT e a Anacom, sobre as falhas do serviço e a qualidade com que este chega à casa das pessoas. Essa mudança de espectro poderá beneficiar ou prejudicar ainda mais as pessoas que dependem do TDT para assistir aos canais básicos?

Alberto Souto de Miranda: O Governo está atento à qualidade do serviço da TDT, e é um serviço que vai continuar e muito provavelmente até terá mais canais. Também é expectável que à medida que a fibra vai progredindo no país que alguns dos utilizadores do TDT se transfiram para as opções comerciais normais. Mas isso é um movimento natural, que acontecerá por si. O que queremos garantir é que o serviço de TDT, enquanto for utilizado e tiver clientes - e tem cerca de 700 mil pessoas servidas, mas há que reconhecer que nem sempre bem - que o operador que está a fornecer o serviço vá melhorando as suas ofertas, quer no serviço, quer nas alternativas que possa oferecer numa espécie de televisão low cost.

SAPO TEK: Do lado do governo, qual é a prioridade e o impacto que o 5G terá nas vidas das pessoas?

Alberto Souto de Miranda: As possibilidades são ilimitadas, mas o objetivo da minha presença aqui hoje, e nos próximos dias e semanas, onde irei percorrer o país com todas as operadoras, universidades e cidades é perceber exatamente aquilo que está a ser feito. E para que o programa nacional para o 5G, que iremos anunciar oportunamente, possa corresponder à realidade. Há coisas que já sabemos que irá ter uma grande potencialidade: o transporte rodoviário, já que 80% da sinistralidade é de origem humana, e portanto, os carros autónomos conectados são muito mais seguros nas autoestradas e onde é mais fácil implementar, do que nos centros urbanos, que requer uma rede 5G muito densa, o que vai demorar algum tempo. Mas essa é uma área onde vai haver ganhos sensíveis para a qualidade de vida das populações. Mas também a automação industrial vai beneficiar muito com o 5G, entre outras áreas.

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