O Facebook tem vindo a enfrentar um crescente ceticismo por parte de reguladores norte-americanos e europeus em relação ao projeto de criptomoeda Libra. Depois de vários meses de escrutínio e dificuldades em manter alguns “membros fundadores”, a empresa liderada por Mark Zuckerberg vai fazer alterações aos seus planos originais.

De acordo com fontes a que o jornal The Information teve acesso, a moeda digital do Facebook vai deixar de estar no centro da sua estratégia de pagamentos digitais. Assim que for lançado, o projeto vai passar a suportar stablecoins, como o euro ou o dólar, para além da Libra. Já em outubro de 2019, David Marcus, cocriador do projeto, tinha anunciado que a empresa estava em busca de abordagens alternativas para o token de moeda que pretendia utilizar.

O Facebook vai também adiar o lançamento da carteira digital Calibra para outubro deste ano. Ao que tudo indica, a empresa planeia permitir a qualquer utilizador a possibilidade de comprar e guardar criptomoedas a partir do seu smartphone e usá-las para fazer pagamentos. A Calibra vai suportar também várias moedas digitais para além da Libra.

Embora a gigante tecnológica tenha intenções de integrar a Calibra no WhatsApp e no Messenger, a carteira digital estará limitada a algumas regiões mundiais, sendo que a sua disponibilidade poderá estar condicionada às moedas suportadas pelo projeto.

Um projeto marcado por um desenvolvimento "turbulento"

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Quando o Facebook anunciou em junho de 2019, a Libra tinha o apoio de empresas como a MasterCard, Visa, PayPal, eBay, Uber, Lyft, Spotify e até a portuguesa Farfetch. Ao todo, o projeto contava com 29 "membros fundadores" da criptomoeda. A rede social esperava somar cerca de 100 parceiros até ao lançamento da tecnologia.

No entanto, a controvérsia em relação ao projeto “estalou”. Em setembro desse ano, Yves Mersch, membro do Banco Central Europeu, deixou claro que considerava que a criptomoeda proposta inicialmente pelo Facebook poderia afetar a capacidade do Banco de definir a política monetária.

Seguiu-se a Comissão Europeia, que indicou que voltaria a abrir um inquérito para saber que riscos é que a aplicação da moeda digital pode trazer em matéria de estabilidade económica e de privacidade dos dados dos utilizadores, quando em agosto já tinha aberto outro relativo a questões de quebra da lei da concorrência.

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O ano de 2019 ficou também marcado pela saída do PayPal, da Mastercard, da Visa, do eBay, da Mercado Pago e da Stripe da Libra Association. Além disso, a Current, uma empresa de mobile banking, processou a Calibra, por alegadamente, copiar o seu logótipo.

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