Alexandre Fonseca voltou a defender hoje a necessidade de repensar o futuro e definir a estratégia de investimento no 5G, que deve ser balanceada com os investimentos que já foram feitos em fibra ótica e no 4G. Na sua intervenção no Mobi Summit, depois do secretário de Estado Adjunto e das Comunicações ter apelado a um espírito de cooperação, o presidente da Altice Portugal fez críticas duras à Anacom e sublinhou que “não podemos permitir que o 5G ou a nova Lei das Comunicações Eletrónicas seja convertidas em armas políticas ou para descapitalizar o sector”.

Os investimentos que a Altice Portugal tem feito nas infraestruturas, e que mostraram a sua resiliência nesta fase de pandemia da COVID-19, permitindo que a economia e as empresas continuassem a funcionar apesar do confinamento. A fibra ótica da Altice já chega a 5,3 milhões de casas e Alexandre Fonseca já tinha apelado a uma parceria público privada para cobrir 100% dos alojamentos.

Para o presidente da Altice Portugal “as circunstâncias mudaram” e, olhando para o futuro que ai vem, o 5G não pode ser uma prioridade nacional quando comparado com investimentos em educação e saúde, na proteção e segurança das pessoas, sobretudo quando o 4G e o WiFi mostraram a sua capacidade e resiliência. “É importante perceber se as prioridades são as mesmas”, afirma, dizendo que importa “repensar o futuro e definir estratégia de investimento em 5G”, e “balancear com o investimento que foram feitos em redes fibra ótica e 4G”.

Repensar o investimento é “não cair na tentação de que [o leilão de 5G] seja uma firma de viabilizar o Estado e descapitalizando os operadores e inviabilizando que a rede 5G chegue efetivamente onde ela será necessária”, afirmou, referindo que seria o mesmo que gastar todo o dinheiro a comprar o carro e não ter dinheiro para pagar a gasolina.

Para Alexandre Fonseca, devem ser pensados incentivos aos operadores privados para que continuem a investir nas tecnologias certas para chegar a toda a população, lembrando que este é um sector que investe mais de mil milhões de euros por ano, que está no pelotão da frente da tecnologia e inovação a nível mundial, que emprega mais de uma centena de milhares de pessoas e vale 3% do PIB.

5G como arma política

“Por isso não podemos permitir que o 5G ou a nova Lei das Comunicações Eletrónicas sejam convertidas em armas políticas que ataquem este sector respondendo a estímulos populistas, demagógicos ou meramente ideologias políticas”, sublinha, reforçando ainda que “não podemos deixar que se tornem armas para descapitalizar um sector que é tão importante para a economia”.

Em relação à Lei das Comunicações Eletrónicas, que está em transposição, Alexandre Fonseca afirma que não se pode legislar por decreto, ou com base em informação do Google, sem falar com os verdadeiros players. “Não podemos deixar que a transposição da diretiva europeia para a nova Lei das Comunicações Eletrónicas seja uma ferramenta política, que vá permitir a desresponsabilização do Estado e que retire ao Estado o que é do Estado, a sua obrigação de servir todos os portugueses de forma igual”.

Alexandre Fonseca voltou a criticar duramente o regulador do mercado, dizendo que a ausência de diálogo tem responsáveis. “Não podemos deixar que um regulador inconstante, prepotente, alheado daquilo que é o diálogo, com um ego gigantesco, continue a criar clivagens e separações entre operadores, governo e os portugueses, num sector que é vital, que cria emprego e valor”.

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