Por Johan Himberg (*)

Desde o início do seu desenvolvimento nos anos 70 que a Inteligência Artificial passou por diferentes fases de expansão e declínio, popularmente conhecidas como Verão e Inverno de Inteligência Artificial (IA), respetivamente. Se por um lado, o Verão da IA consiste numa fase de grande entusiasmo e esperança naquilo que é possível conseguir com a inovação da inteligência artificial, inversamente, um Inverno da IA consiste numa época em que o apoio e interesse na investigação nesta tecnologia são escassas pelo facto de as promessas iniciais de inovação não serem correspondidas. Estes períodos são marcados por desconfiança, desânimo, desilusão e pessimismo generalizado que levam a que o financiamento, investigação e interesse pela IA diminua.

De acordo com um Relatório da Gartner, "Emerging Trends in AI", até 2030, 80% das interações entre empresas e clientes serão geridas por esta tecnologia, o que reforça a previsão de crescimento. No entanto, e uma vez que este fenómeno é cíclico, parece natural questionar quando será o próximo Inverno, qual a melhor forma de antecipar e como é que as empresas podem gerir e mitigar os riscos dos seus investimentos nesta tecnologia e garantir que estes criam valor sem infligir custos.

Na grande maioria das vezes, a razão que leva a um período de declínio é o interesse público. O arranque acelerado desta tecnologia pode gerar um crescimento excessivo das expectativas da sua utilização que, em muitas situações, é irrealista e inalcançável, o que pode levar à tal desconfiança e perda de interesse.

Uma forma de conseguir antecipar este declínio é compreender a capacidade real das tecnologias e alinhar expectativas. Ou seja, enquanto empresa, é fundamental conhecer o verdadeiro potencial desta tecnologia, apostar nela e continuar a trabalhar no seu desenvolvimento. Por outro lado, uma outra maneira de evitar ou gerir o Inverno de IA é estar atento às leis e regulamentações associadas ao setor. Um exemplo pertinente é a indústria da saúde. Embora exista um grande potencial para uma utilização mais eficiente da IA, a implementação de novas tecnologias muitas vezes não é possível por ser uma indústria altamente regulamentada. Existe uma tensão inerente entre regulamentação, transparência e possibilidade de inovação. Por outras palavras, mesmo quando existem conhecimentos e tecnologias possíveis para inovar, nem sempre é possível executar, o que pode gerar desmotivação face à IA.

Por último, e porque, como mencionado, “as estações” da Inteligência artificial são predominantemente resultado do interesse público, a melhor forma de evitar um período de inverno é continuar a ter esperança na inovação e a trabalhar para aproveitar ao máximo esta tecnologia, que ainda tem muito a contribuir. A IA está aqui para ficar e revolucionar o mercado ao extrair conhecimento e automatizar inúmeros processo nas empresas.
Posto isto, não é possível prever quando é que a Inteligência Artificial passará pelo próximo Inverno, e a exposição ao risco é variável entre empresas, setores ou países, consoante a quantidade de dados e nível de digitalização que possuam. No entanto, fazer uma gestão que permita antecipar e contrariar esta tendência pode ser diferenciador quando se trata de manter a saúde de uma empresa sem comprometer os seus resultados.

(*) Consultor Sénior, Excelência de Dados, Reaktor

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