Por Luis Bravo Martins  (*)

Uma das características iniciais dum mercado emergente é toda a vontade com que os participantes nele abordam o mercado. Isto porque todos temos a consciência que o mercado encerra uma oportunidade tremenda e que só trabalhando para a construção de alternativas concretas e com valor para os nossos públicos, conseguimos mudar atitudes e transformar comportamentos de consumo.

O mercado da Realidade Virtual e Aumentada tem exatamente essa característica – está a nascer, com uma promessa de valor anormalmente alta, o que cria expetativas igualmente altas. Sempre que assim é, muito facilmente não se alcançam e logo surgem críticos para invalidar todo o trabalho de transformação social até aí realizado.

Em Portugal, estimamos que mais de 1.000 profissionais trabalhem exclusivamente em Realidade Virtual e Aumentada, entre funções técnicas, comerciais e de marketing. Não falamos apenas de empresas pequenas, focadas em nichos estratégicos, mas igualmente de outras que trabalham clientes nacionais e internacionais.

É por isso mesmo que se torna necessário um ecossistema forte, onde presentes e futuros concorrentes, professores, estudantes, investigadores, fornecedores de hardware e serviços - genericamente todos os participantes nele possam interagir para criar valor.

É mesmo nesse sentido que criámos o Diretório de empresas de VR/AR Portugal 2019, uma lista de 63 empresas com equipas dedicadas à criação de soluções em Realidade Virtual, Aumentada e Mista a operar em Portugal. São 63 empresas constituídas, com trabalho realizado e presença distribuída por todo o país, não apenas nos principais centros urbanos de Portugal.

Este Diretório tem como destinatário todos os que precisam de parceiros tecnológicos com soluções nestas tecnologias. Porque na verdade, são vocês, os profissionais de cada mercado, de cada setor económico os únicos capazes de valorizar processos de negócio através da Realidade Virtual e Aumentada – porque já conhecem os processos, porque sabem como, quando e onde se pode otimizar. Esta tarefa não pode ser deixada ao consultor tecnológico, porque o foco dele é outro – criar confiança na infraestrutura desta transformação.

Isto enquanto não surgem perfis profissionais que se especializem em ligar este novo mundo de possibilidades tecnológicas com a dinâmica já presente nas empresas. Esse perfil de futurista / futurologista é uma das necessidades que as empresas já começam a resolver, integrando estas funções no Marketing, nos Recursos Humanos ou integrando profissionais que estejam exclusivamente focados em identificar tendências e antecipar transformações.

Porque não se trata apenas de uma transformação digital, mas de uma transformação de comportamentos. Lembram-se de como era má-educação consultarmos o telemóvel durante uma conversa? Em 2012 o termo “Phubbing” identificava aquele comportamento em que trocamos a conversa com uma pessoa pelo ecrã de um telemóvel. Hoje, consultar o telemóvel durante uma conversa é algo com que ninguém se chateia. Daqui a poucos anos, começaremos a falar com um dispositivo móvel ou tablet à nossa frente. E daí até conversas com óculos de Realidade Aumentada colocados será um passo.

Inteligência Artificial, Machine Learning, IoT autónomas, Computadores Quânticos, Robotização, Blockchain - a Realidade Virtual e Aumentada será o interface de tudo isto, a nossa fórmula de interação com o mundo e será o espaço para a nova World Wide Web.

Este é o momento de nos prepararmos para esse mundo de transformação constante, criando uma rede forte para todos nós que, voluntaria ou involuntariamente, participamos neste ecossistema.

(*) Head of Marketing da IT People e co-presidente do Lisbon Chapter da VRARA

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