“De fazer cair o queixo”: é assim que estão a caracterizar a StDr 56 pela sua "variação morfológica". As observações feitas apontam para que estejamos perante aquilo que se chama de nebulosa planetária: um objeto astronómico que consiste num aglomerado brilhante de gás, "soprado" por certos tipos de estrelas no fim das suas vidas.

Os mecanismos que produzem as variedades de formas e características de uma nebulosa planetária não são ainda bem compreendidos, mas desengane-se, desde já, quanto à associação do nome com planetas: não há nenhuma. A denominação enganadora terá surgido em 1785, derivada de uma suposta semelhança com a aparência dos gigantes gasosos. Isto porque os telescópios da altura revelavam objetos circulares e difusos, semelhantes a um disco planetário.

Nome à parte, explica o Observatório Astronómico de Lisboa que, durante grande parte da sua vida, as estrelas semelhantes ao Sol consomem hidrogénio no seu núcleo e convertem-no em hélio, libertando energia. Quando o hidrogénio acaba, a estrela sofre grandes alterações: o seu tamanho aumenta e começa a fusão do hélio, dando origem a uma gigante vermelha.

A determinada altura, a estrela torna-se instável e ejeta as suas camadas mais externas a uma velocidade na ordem das dezenas de quilómetros por segundo. É este material estelar ejetado que dá origem a nebulosas com as mais variadas formas.

O material irá expandir-se e, passados 10 a 50 mil anos, a densidade tornar-se-á tão baixa que deixará de ser visível. Aquilo que resta da estrela é apenas o núcleo, constituído por hélio, carbono e outros elementos mais pesados, a temperaturas que podem atingir os 150.000 °C: uma quente e densa anã-branca.

Em geral, têm alguns anos-luz de diâmetro, no máximo. Depois disso, o gás em expansão torna-se muito fino para captar com eficácia a luz da anã branca central, que irá arrefecer lentamente no Universo, e a nebulosa escurece. Eventualmente, após mais alguns milhares de anos, o gás mistura-se e funde-se com o gás no espaço interestelar.

Regressando à misteriosa StDr 56

As nebulosas planetárias podem assumir uma variedade de formas é só olharmos para exemplos como Abell 33, que é uma bola de sabão quase perfeita no espaço, ou a popular Cat's Eye.

Mas o "cálice de fogo" formado pela StDr 56 assim como outras caraterísticas, chegam a ser encaradas como desconcertantes, tal como se descreve num artigo publicado na SYFY Wire.

Descoberta pelos astrónomos amadores Xavier Strottner e Marcel, a suposta nebulosa planetária 56 do catalogo StDr – resultante da conjugação das inicias dos sobrenomes dos seus criadores -   situa-se na constelação de Triangulum.

O hidrogénio (vermelho) e o oxigénio (azul) brilharem ambos fortemente quando atingidos pela luz ultravioleta é algo comum numa nebulosa planetária, assim como o oxigénio parecer ser menor e dentro da estrutura do hidrogénio.

tek nebulosa stdr56
créditos: Robert Pölz, Marcel Drechsler, Xavier Strottner

Já entre as estranhezas causadas em que está habituado a observar este género de objetos astronómicos estão as longas “tiras” de filamentos finos, muito incomuns para uma nebulosa planetária. Em geral, estas tiras podem registar-se quando o gás flui ao longo das linhas do campo magnético. Uma anã branca pode ter um campo magnético forte, mas considera-se que dificilmente poderia moldar a estrutura do gás do tamanho de uma nebulosa como esta.

Dúvidas quanto ao tamanho da StDr trazem mais incógnitas

De acordo com o relatado, a dimensão da StDr no céu é de cerca de meio grau, o que equivale a uma Lua cheia. Dependendo da anã branca que tem no seu centro - de duas hipóteses, uma a cerca de 1.130 anos-luz da Terra e outra a 3.800 anos-luz de distância - poderá ter entre cerca de 10 anos-luz ou 33 anos-luz de diâmetro.

A última suposição significaria que estamos perante uma nebulosa planetária enorme, mas por outro lado, situada onde está, ao tentar expandir-se desaceleraria rapidamente, limitando o seu tamanho. Até mesmo tendo a anã branca identificada como a 1.130 anos-luz de distância seria grande demais. Ou não…

São estas e mais dúvidas que levam o autor do artigo a apelar à ajuda da comunidade de astrónomos profissionais para ser possível descobrir mais acerca da StDr 56, além de que é “deslumbrante de fazer cair o queixo”.

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