Depois da primeira subida do número de pedidos de patentes em Portugal em 2018 desde há dois anos, os resultados do Index de Patentes de 2019 revelam um novo aumento destes valores no ano passado, desta vez de 23,1%. Ao todo foram 272 os pedidos de patentes feitos junto do Instituto Europeu de Patentes (IEP), o número mais alto de sempre, e destes, 110 foram autorizados, valor que também representa um crescimento.

No comunicado divulgado à comunicação social, o IEP garante que o crescimento dos pedidos de patente em Portugal se deve sobretudo ao crescimento significativo em 10 das 15 áreas tecnológicas de maior importância no país, sendo a área médica com o maior número de pedidos de patentes em 2019. No total foram 22 as solicitações, o que representa um aumento de 83,3% face a 2018. Ainda na área da saúde, as farmácias surgem na segunda posição, com 19 pedidos de patente, um crescimento mais reduzido, desta vez de 35,7%. O setor do mobiliário e jogos encerram o top 3, contabilizando-se 18 pedidos de patente, um aumento de 50%.

Ainda assim, um dos maiores aumentos não foi nessas áreas, mas sim na das tecnologias de informação para gestão, subindo de um para dez pedidos, com o mesmo a acontecer no controlo de maquinaria. Já o setor de maquinaria elétrica e dispositivos registou um aumento de quatro para 14 pedidos, logo, de dez solicitações-

Quem foram as instituições nacionais que apresentaram mais pedidos de patentes?

A Novadelta-Comércio e Industria de Cafés e a Universidade de Évora foram as que apresentaram um maior número de pedidos de patente junto do IEP em 2019, ambas com 16 pedidos de patente. Seguiram-se a Association for the Advancement of Tissue Engineering and Cell Based Technologies & Therapies com 15 pedidos de patente, do Modelo Continente Hipermercados (10) e do Instituto de Engenharia de Sistemas e Computadores, Investigação e Desenvolvimento do Porto (com 7 pedidos).

A realidade nacional aqui difere da europeia, com Portugal a ter três laboratórios de investigação e instituições académicas no top 5, o que "reforça a importância das patentes europeias na proteção dos investimentos feitos em investigação e desenvolvimento pelas instituições académicas", escreve o IEP.

Tal como em 2018, é a região do Norte a liderar o ranking regional de pedidos de patente em Portugal, representando 46% do total, face aos 40,5% de 2018. Seguem-se a cidade de Lisboa, que subiu de 18,2% para 21,7%, e a região Centro, que neste caso desceu de 29,5% para 16,5%. Ainda assim, no ranking das cidades, a área metropolitana de Lisboa ficou na liderança com 37 pedidos de patente, face aos 26 de 2018, seguida do Porto, que subiu de 23 para 36 pedidos.

Novo recorde de pedidos de patentes impulsionado pelo 5G e pela IA

O crescimento de Portugal está em linha com a subida de 4% dos pedidos de patentes em 2019 a nível global, um ano em que o IEP recebeu mais de 181.000 solicitações. Tal como no caso português, este é um novo recorde. A grande maioria das patentes (55%) tiveram origem de países fora da União Europeia, estando no top cinco dos pedidos de patentes os Estados Unidos da América, com 25% do total dos pedidos, seguidos da Alemanha (15%), Japão (12%), China (7%) e França (6%). O caso português representou apenas 0,1% desse valor, com o país a ser ultrapassado por países como a França (6%), Itália (2%) e Espanha (1%).

Ainda assim, de notar que os pedidos com origem na Alemanha mantiveram-se estáveis e houve um decréscimo nos pedidos com origem em França, nos Países Baixos e na Finlândia.

A nível global foi a Huawei a ocupar o primeiro lugar no ranking de empresas que solicitaram mais patentes junto do IEP em 2019. A Samsung e a LG posicionaram-se, respetivamente, em segundo e terceiro lugar. A seguir às duas empresas sul-coreanas ficaram a americana United Technologies e a Siemens, que liderou os pedidos de patente em 2018, desceu para quinto lugar.

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Em comunicado, o IEP explica que a subida dos pedidos de patentes em 2019 se deveu sobretudo a um forte crescimento dos pedidos com origem na CHina, Estados Unidos e Coreia do Sol. "O aumento de pedidos de patente nos campos da comunicação digital e tecnologia informática foi outra tendência evidente, refletindo a importância crescente de tecnologias ligadas à transformação digital", pode ler-se.

Pela primeira vez em mais de uma década foi a comunicação digital a liderar os pedidos de patente juto do IEP. Em 2019, atingiu o maior crescimento, de 19,6%, em relação a 2018, ultrapassando a área da tecnologia médica, desde 2006 a que mais pedidos de patente registava.

Na comunicação digital, estando nesta área incluidas tecnologias necessárias para a implementação de redes wireless 5G, a percentagem de pedidos de patente com origem na China, Estados Unidos da América e Europa foram muito semelhantes, com cada um dos países a representar cerca de um quarto do total de pedidos. Mas, com um aumento de 64,6%, foram as empresas chinesas as que mais contribuíram para o crescimento nesta área.

Em seguida ficou a tecnologia informática, com o principal fator de crescimento a ser a subida de pedidos de patente relacionados com inteligência artificial. As empresas norte-americanas foram responsáveis por cerca de 40% dos pedidos na área de tecnologia informática, um aumento de 14,6% em relação a 2018, seguidas dos 38 estados membros do IEP, um crescimento de 9,3%, com quase 30% do total. Já a China representou cerca de 10% do total de pedidos nesta área.

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