A disseminação de informação falsa nas redes sociais tem vindo a preocupar investigadores da área da comunicação. Um dos mais recentes relatórios da Universidade de Nova Iorque alertou, no início de setembro, para o risco elevado de o Instagram e o WhatsApp serem utilizados para esse fim nas eleições presidenciais americanas de 2020.

Agora um estudo da Universidade de Oxford revela que cada vez mais governos à volta do mundo estão a utilizar redes sociais como ferramenta de propagação de informação falsa. A investigação liderada por Samantha Bradshaw e Philip N. Howard chegou à conclusão de que, em 2019, pelo menos 70 países levaram a cabo campanhas de desinformação.

O Facebook continua a ser a rede social de escolha para muitos destes países. Bradshaw e Howard encontraram provas de que 56 governos utilizaram a plataforma para levar a cabo campanhas de manipulação da opinião política. Portugal não faz parte desta lista.

Redes sociais utilizadas por governos para levar a cabo campanhas de desinformação

Os objetivos vão desde o manchar da reputação de adversários ao “abafar” de vozes rivais, passando ainda pela interferência em assuntos políticos estrangeiros. Em cada um dos países analisados, pelo menos um partido ou entidade governamental pôs em prática técnicas de manipulação nas redes sociais.

De acordo com a investigação, o uso de redes sociais tornou-se numa das tácticas de desinformação preferidas dos regimes autoritários. Assim, 26 países utilizaram técnicas de propaganda em redes sociais não só para controlar a informação, mas também para suprimir o direito de expressão e de escolha política das suas populações.

Regimes autoritários que utilizam táticas de manipulação de informação

No relatório, a China é apontada como uma das forças motrizes de desinformação a nível global. Outrora as tácticas chinesas eram levadas a cabo em plataformas online do país, tal como o Weibo ou o WeChat. No entanto, a partir dos protestos de 2019 em Hong Kong, houve um aumento de campanhas agressivas no Facebook, no Twitter e no YouTube.

Segundo Samantha Bradshaw, em declarações ao New York Times, os casos analisados preferiam aproveitar-se do efeito amplificador dos algoritmos das redes sociais para propagar memes e vídeos do que utilizar anúncios.

A investigadora da Universidade de Oxford declarou também que as ações tomadas, por exemplo, pelo Facebook ou até mesmo por governos para combater o disseminar de desinformação não estão a ser suficientemente rigorosas.

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