O Virtual Educa Connect, um evento totalmente online, está a decorrer até esta quinta-feira, 23 de julho, e em cima da mesa está a forma como o próximo ano letivo deve ser preparado pelos sistemas de ensino público e privado, em pleno contexto de pandemia. O SAPO TeK conversou com Adelino Sousa, diretor-executivo do Virtual Educa, que destacou a importância deste debate num período caracterizado por tanta indefinição, numa altura em que um novo estudo internacional vem reforçar a ideia de que os professores não estavam preparados para a realidade de ensino a distância.

Com 20 anos de existência, o Virtual Educa deveria realizar-se num evento presencial em Lisboa neste mês de julho, numa iniciativa que todos os anos se realiza num país diferente e que integra conferências e formações. No entanto, a pandemia de COVID-19 ditou o adiamento do evento para novembro e levou a organização a criar outra sessão, totalmente online.

Através de uma parceria com o Ministério da Educação, os professores que participarem no evento, sendo o registo gratuito, terão acesso a créditos concedidos pelo Ministério, um aspeto importante para a progressão da carreira. Para Adelino Sousa, esta questão revela-se particular importante devido a vários aspetos.

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Em plena pandemia, pode não ser fácil para os professores cumprirem com os critérios de progressão da carreira. E, sendo um evento gratuito, os docentes não precisam de investir para terem acesso aos créditos. Adelino Sousa refere ainda que "não é fácil encontrar formulações certificadas realizadas de forma totalmente online”, esta que considera ser mais uma questão importante para a comunidade educativa.

Em declarações ao SAPO TeK, Adelino Sousa garante que até ao último dia do evento, que teve início a 21 e termina amanhã, 23 de julho, espera contar com perto de meio milhão de participantes. Na altura da entrevista concedida esta terça-feira, primeiro dia do Virtual Connect, o evento contava com perto de 80 mil registos e o especialista mostrava-se muito satisfeito com a discussão no fórum.

Este primeiro dia foi "particularmente bom pela partilha de experiências governamentais". Adelino Sousa refere que, por norma, " os governos são um pouco tímidos no que toca a partilhar experiências, más e boas", mas esta edição parece estar a ser diferente. "Tenho recebido mensagens da América Latina, nas quais dizem que nunca assistiram a um evento onde os governos estiveram com uma mentalidade tão aberta". E na opinião do diretor-executivo do Virtual Educa Connect "quanto mais abertos os governos estiverem mais podemos aprender", no sentido de haver uma possibilidade maior de se evitarem erros.

Professores sem preparação para o que aí vinha. Uma realidade em 16 países

Realizada pela consultora Aonia Nueva Educación, sediada em Sevilha, a investigação que vai ser apresentada esta quinta-feira no Virtual Educa Connect analisou as soluções adotadas por 375 responsáveis de educação de 16 países mundiais para adaptarem o método de ensino tradicional ao ensino a distância imposto pela pandemia. O estudo demonstra que a falta de conhecimentos tecnológicos dos professores conduziu a uma sobrecarga de horas de trabalho e de tarefas. Em termos práticos, esta sobrecarga afetou não só os docentes como também os alunos.

Em comunicado, David Vidal, coordenador da investigação, garante que “a carência de competências digitais por parte dos professores e a falta de conhecimento técnico está a limitar o sistema de ensino de muitos países a sucessivas videoconferências e ao envio e receção de documentos”. A título exemplificativo, o especialista faz referência aos trabalhos excessivos a que os alunos tiveram de dar resposta, como “resultado da falta de coordenação entre os professores e as estratégias de ensino a distância”.

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85% das respostas obtidas no estudo correspondem a escolas primárias e secundárias. Para além disso, os restantes 15% surgem de instituições universitárias de Portugal, Espanha, Itália, México, Colômbia, Equador, Perú, Bolívia, Chile, Argentina, Uruguai, Venezuela, Guatemala, Costa Rica, Honduras e El Salvador.

Segundo 50% dos inquiridos, o sistema hardware das respetivas escolas e instituições antes da pandemia de COVID-19 variava entre o nível baixo e o médio, com apenas um computador e projetor por sala de aula a um acesso regular a equipamentos compartilhados com os alunos. Já a maior parte dos participantes, 79%, destaca necessidade de existir uma resposta mais coordenada do sistema educativo. Isto de forma a atenuar as desigualdades entre recursos e a acelerar a adaptação das instituições ao novo contexto.

Para 66% dos entrevistados, o maior desafio foi garantir o acesso de todos os alunos aos recursos educativos disponíveis online. No entanto, a verdade é que a digitalização progressiva que se tem vindo a registar nas últimas décadas não é transversal a todas as sociedades. Em Espanha, cada agregado familiar tem, em média, entre um a dois computadores, com os números a caírem significativamente em muitos países da América Latina, “onde uma grande percentagem de famílias não tem acesso a qualquer dispositivo”, garante o especialista.

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