Paulo Fernandes, administrador executivo da Portugal Telecom considerou hoje que existe no mercado português um perigo real de sobre-regulação que prejudica o grupo português num contexto mundial, onde é um alvo apetecível para aquisições.



No IV Fórum Telecom do Diário Económico o gestor considerou que as medidas regulatórias introduzidas ao longo do último ano criaram condições para que os novos operadores pudessem lançar ofertas competitivas sobre a rede do incumbente, acrescentando que é agora necessário dar tempo para que essas medidas surtam efeito, ao invés de continuar a avançar com novas medidas que restrinjam de forma impar a actuação do incumbente.



Paulo Fernandes apresentou alguns exemplos de medidas introduzidas pelo regulador que não encontra noutros países, como a limitação de seis meses imposta à PT para poder tentar recuperar um cliente que mudou para outro operador. Segundo o responsável, o risco real de sobre-regulação no mercado português fragiliza a empresa no seu mercado doméstico e na sua capacidade para se defender de eventuais ofertas de aquisição. O administrador antevê que nos próximos dois a três anos o mercado de telecomunicações sofra mudanças significativas, em resultado de vários movimentos de consolidação. "A PT é certamente um mercado apetecível pela sua dimensão e sê-lo-á ainda mais com um mercado sobre-regulado", voltou a frisar.



As declarações surgem um dia depois de ser divulgado um research da casa de investimentos Merrill Lynch onde se diz que a Telefónica tem como objectivo de longo prazo a aquisição da operadora nacional, caso o Governo o permita, já que mantém uma golden share no capital do grupo. O research, citado pelo Jornal de Negócios, olha para a PT como um alvo de eventuais aquisições e não como um comprador.



Paulo Fernandes usou o mesmo exemplo - a Telefónica - para explicar o seu ponto de vista, considerando que a PT tem a seu lado, em termos geográficos, um gigante que estrategicamente poderia decidir evoluir para uma operação de ganho de escala que visasse o operador português.



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