Num processo ainda sem fim à vista, a fase principal do 5G avançou para o seu 25º dia. Nas seis rondas de hoje, as melhores propostas das operadoras atingiram os 229,87 milhões de euros, um valor que representa uma subida de 1,6 milhões de euros em relação ao dia anterior.

Os dados disponibilizados pela Anacom permitem constatar que na faixa dos 3,6 GHz existem subidas nas ofertas relativas a 28 dos 40 lotes disponíveis. Face ao valor de reserva de espectro, há uma dinâmica de crescimento das propostas das operadoras que leva a subidas de preço a rondar, no máximo, os 84%.

Ao todo, a soma das licitações da fase dos novos entrantes, que ultrapassaram os 84 milhões de euros, com as que foram atingidas hoje na fase principal resulta num valor que já é superior a 314 milhões de euros, ultrapassando o preço de reserva fixado pela Anacom nos 237,9 milhões de euros.

Por outro lado, as propostas em relação à faixa dos 2,6 GHz, onde o interesse das operadoras se tem vindo a centrar, não apresentam alterações face ao dia anterior. Ainda ontem, o valor das licitações relativas ao primeiro dos lotes desta faixa registou um aumento de 5%, atingindo os 9,588 milhões de euros, mais 220% do que o valor inicial de 3 milhões. Ainda no 23º dia, as propostas para o segundo dos lotes cresceram 6%, alcançando os 9,132 milhões.

Na faixa dos 2,1 GHz, as propostas mantêm-se desde o sétimo dia de licitações nos 10,61 milhões de euros, numa subida de mais de 200% em relação ao valor do primeiro dia de licitações. Ao que tudo indica, o interesse acrescido na faixa poderá ser justificado pela garantia de mais capacidade de rede ao 3G e 4G, sem grande investimento em tecnologia. Além disso, a faixa pode ser recondicionada para o 5G a médio prazo.

Embora as faixas dos 700 e 900 MHz não apresentem mudanças em relação aos preços de reserva de 19,2 e 6 milhões de euros desde o início da fase principal do leilão, tal não quer dizer que não possam surgir novas propostas se as operadoras considerarem que faz sentido na sua estratégia.

À medida que todo o processo do leilão se prolonga, o Governo, a Anacom e as operadoras de telecomunicações mantêm as agulhas desorientadas na estratégia do processo do 5G. Por um lado,  Pedro Siza Vieira, ministro do Estado, da Economia e da Transição Digital, indicou que espera que a forma como o processo está a decorrer "não prejudique os objetivos públicos" de cobertura territorial da tecnologia 4G e disponibilização das redes de quinta geração.

Por outro, as operadoras de telecomunicações pediram a suspensão do concurso do 5G devido ao contexto da pandemia. Mas o regulador recusou o pedido de adiá-lo, referindo a determinação do Governo. Porém, o Governo respondeu à Anacom a contrariar essa posição e apontou responsabilidades à entidade, lembrando as consequências  que possam surgir ao nível de saúde.

Fora dos “desalinhamentos”, recorde-se que hoje o Governo avançou que o início da cobertura das redes móveis de quinta geração não está contemplado no Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) de Portugal para aceder a verbas comunitárias pós-crise da COVID-19, por este ser um investimento das operadoras.

Nota de redação: A notícia foi atualizada com mais informação. (Última atualização: 19h00)

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