Por João Blumel (*)

Tive o prazer de assistir a “Cosmos Within Us”, um espectáculo imersivo e performativo, da autoria de Tupac Martir, um artista peculiar, que transforma as tecnologias imersivas em arte. Quando falo em tecnologias imersivas, refiro-me a realidade virtual (VR), realidade aumentada (AR) e mixed reality (MR), que surge como uma espécie de híbrido, uma mistura entre elementos de realidade virtual ou aumentada, com elementos da vida real.

É difícil definir este espectáculo. Não é uma peça de teatro, não é um filme, não é uma performance. É uma junção de tudo isto. É toda uma experiência sensorial.

Existem dois lados desta mesma experiência. O lado do público, que assiste a um filme que está a ser projectado em realidade virtual e o lado da pessoa que usa os óculos de realidade virtual. Em cada performance é escolhida aleatoriamente uma pessoa do público, para utilizar os óculos em palco e servir quase como o “realizador” do filme, os “olhos da plateia”. É essa pessoa que vai explorar cada cena do filme e decidir em que aspectos se focar ou ignorar. Tudo o que essa pessoa vê, é projectado em tempo real para toda a plateia, durante todo o espectáculo.

Nesse dia em particular, a pessoa escolhida fui eu. E não podia estar mais satisfeito com a experiência!

Tudo começou no backstage quando me perguntaram se estaria à vontade para estar em palco durante uma hora, sempre com os óculos. Disse que sim. Perguntaram-me também se tinha alguma alergia alimentar, o que me deixou muito curioso.

Levam-me do backstage ao palco, sempre com os óculos postos, o que significa que não tenho qualquer noção da disposição exacta do local ou do número de pessoas que está a acompanhar a experiência. Apenas me dizem para não sair dos limites da experiência virtual, que está circunscrita ao tamanho de um tapete que está em palco. A experiência é feita descalço, precisamente para sentir a carpete e ter noção dos limites do palco.

No palco, não estou sozinho. Estou acompanhado por músicos que interpretam a banda sonora do filme, em tempo real e ainda por um actor, que narra toda a história. Para além disso, existem duas performers que dançam ao som da música e que interagem com aquilo que estou a ver. Eu não as vejo, mas consigo sentir a sua presença.

Na realidade virtual eu sou a personagem principal, ou seja, sou a personagem interpretada pelo narrador, que conta a sua história de vida na primeira pessoa.

Durante a experiência, vou visitando cenários da infância do narrador, desde cenários concretos e “reais” como por exemplo a sala de estar ou o quarto da casa onde vivia, até cenários mais surrealistas e fantásticos, próprios da imaginação duma criança ou que reflectem estados de espírito e de reflexão pessoal. É uma experiência muito existencialista, que levanta questões profundas sobre a humanidade e a identidade e história pessoal de cada um. Achei muito interessante.

Para que a experiência seja vivida da forma mais intensa possível, existem vários elementos de estímulo sensorial que surgem durante a história. Por exemplo, há uma parte em que ele imaginava um dragão e quando o dragão cospe fogo, eu sinto o calor das chamas. Ou quando estou na natureza, sinto o vento no corpo e fragrâncias no ar, como se conseguisse cheirar as flores ao ar livre. Tudo isto foi cuidadosamente programado pelo autor, para que a pessoa em palco e também as pessoas na plateia pudessem ter uma experiência verdadeiramente imersiva.

Não quero revelar muito mais, porque sinto que este espectáculo deve ser visto e experienciado na primeira pessoa.

Enquanto entertainer e entusiasta de VR e AR, acredito mesmo que o futuro do entretenimento passa também pela adopção deste tipo de tecnologias. O nível de imersividade é muito maior que qualquer ida normal ao cinema ou ao teatro. A pessoa sai do papel de mero espectador, e passa a ser também protagonista. O espectador deixa de ter um papel passivo e passa a ter um papel activo na história, passa a fazer parte do filme e da forma como este é captado.

“Cosmos Within Us” é de facto um espectáculo vanguardista e que representa o início de uma nova era de entretenimento. Precisamos de mais autores e artistas como Tupac Martir. Precisamos de sentir!

(*) Mentalista/Mind-Reader | Orador Motivacional | Performer de VR/AR

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