Antes da pandemia que está a marcar este ano ter deixado carros, aviões e barcos parados um pouco por todo o mundo, já a Europa queria uma estratégia de mobilidade mais sustentável e “smart”. Na Semana Europeia da Mobilidade 2020 essa missão continua, numa altura em que os países europeus, como os restantes, se mostram interessados em criar cidades mais sustentáveis, com uma das apostas a ser a forma como as pessoas se deslocam.

Tendo este ano como mote “Emissões Zero, Mobilidade para todos”, a iniciativa foi lançada em 2000 por vários países europeus, incluindo Portugal. Desde então que a Semana Europeia da Mobilidade, que se celebra entre 16 e 22 de setembro, pretende associar a mobilidade a várias questões ambientais e mostrar de que forma é possível melhorar a sustentabilidade do planeta.

Marcada por restrições devido à COVID-19, a campanha junta 2.736 cidades de 49 países, numa aposta de uma mobilidade mais sustentável. Por isso, até 22 de setembro são várias as iniciativas que pretendem motivar e sensibilizar os cidadãos, com a Câmara Municipal de Lisboa (CML) a disponibilizar a programação para os próximos dias.

Em junho, a CML apresentou o plano de transformação do espaço público, com o objetivo de diminuir a poluição na capital. O aumento da rede ciclável foi uma das medidas do município para evitar o aumento do transporte individual e a poluição, passando para 200 km até 2021. Assegurado ficou também mais estacionamento para bicicletas e um fundo de mobilidade de três milhões de euros.

Este ano Capital Verde Europeia, a cidade tem vindo a apostar em várias estratégias nesta área e quer reforçá-las. Um mês depois da apresentação do plano, Miguel Gaspar, responsável da mobilidade da capital, destacou num evento a importância da requalificação do espaço público, mas também do investimento no transporte público e a criação de uma rede de ciclovias que ofereça condições para que mais pessoas possam optar por este modo, ainda mais urgente num contexto de pandemia.

Mobilidade em tempos de pandemia

Num documento com orientações temáticas sobre a iniciativa, a Comissão Europeia reconhece que, em plena pandemia, "muitas cidades estão a aumentar o espaço para uma mobilidade ativa". "Algumas delas aperceberam-se que é possível adotar uma abordagem nova e mais sustentável em relação aos transportes urbanos", pode ler-se ainda.

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A verdade é que, tal como noutras áreas, existe uma realidade antes e depois do COVID-19 em todo o mundo. Nunca antes se tinha visto as estradas tão desertas e o céu sem ser “pintado” por aviões, o que também se refletiu na qualidade do ar.

Logo em março, fotografias aéreas divulgadas pela empresa de tecnologia espacial Maxar mostraram o antes e o depois de espaços normalmente bastante movimentados, que passaram a contar com muito menos pessoas.

No final desse mês, para além de fotografias, também um vídeo mostrou como a pandemia de COVID-19 estava a afetar os Estados Unidos da América, deixando cidades como Nova Iorque completamente desertas. Veja o vídeo.

E as próprias imagens também não deixaram ninguém indiferente. 

Mais recentemente, em junho, novas imagens tornaram claro que os aviões e barcos também não estavam a ter a sua "rotina habitual". Numa altura em que as restrições às viagens eram muitas, muitos aviões estiveram estacionados nas pistas, mesmo em aeroportos remotos, como Alice Springs, na Austrália.

Veja as imagens captadas pela missão Copernicus Sentinel-2 de aviões parados na Austrália, França, Estados Unidos e Espanha em maio de 2020.

Imagens captadas pela missão Copernicus Sentinel-2  de aviões parados na Austrália, França, Estados Unidos e Espanha em maio de 2020

Outro sector fortemente afetado pela pandemia tem sido a indústria de navios de cruzeiros. A baía de Manila, nas Filipas, por exemplo, foi transformada num "parque de estacionamento" para navios. Nesta animação, cerca de 20 embarcações podem ser vistas ancoradas na costa da baía de Manila, com uma sequência de imagens captadas a 22 de abril, 2 de maio e 22 de maio.

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