Há muito tempo que correm rumores de que a Google estaria a desenvolver uma plataforma de streaming para videojogos. O Project Stream foi oficialmente revelado em outubro, com a empresa de Mountain View a assumir o interesse por esta indústria milionária, e arrancou os testes com o Assasin’s Creed Odyssey, disponível desde o seu lançamento no ano passado.

As grandes expetativas...

Desde então, a Google reservou uma slot para uma apresentação no Game Developers Conference, que arrancou esta semana, e ao contrário de um evento aberto ao público, este é focado nos produtores e empresas que desenvolvem projetos de videojogos. Ou seja, o GDC é um local onde a gigante tecnológica pretende mostrar e convencer os produtores a produzirem para a sua plataforma de streaming.

Depois existem dois aspetos muito importantes a considerar na estratégia da Google. A primeira é a antecipação do registo de uma patente para um sistema de notificações para um controlador de videojogos. O documento mostra um comando, semelhante aos que utilizamos para jogar PlayStation e Xbox. A patente, especificamente falando, é de um sistema de notificações que a empresa pretende integrar no controlador. O sistema deverá servir para chamar à atenção do jogador para o lançamento de novos jogos, convites, mensagens, etc.

A segunda foi a contratação da veterana da indústria dos videojogos, Jade Raymond, para vice-presidente da Google, para ficar à frente do novo departamento da empresa, e o primeiro estúdio interno da Stadia.

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A "grande" confirmação...

O evento arrancou com o símbolo da Google a surgir, desenhado a partir de partículas de nuvem, dando o mote para a apresentação. O CEO da Google, Sundar Pichai arranca dizendo que adora jogar FIFA 19, mas que também gosta de cricket, que nas sua palavras é basebol, “mas melhor”. O executivo destaca como o seu sistema de inteligência artificial Deep Mind tem feito no gaming, nomeadamente bater os melhores jogadores de eSports.

A empresa tem trabalhado na sua tecnologia de streaming nos últimos dois anos, colminando no teste de Assassin’s Creed: Odyssey em outubro do ano passado, para provar que a sua plataforma conseguia lidar com jogos de topo em qualquer plataforma. Está prometido o serviço em 19 países, 58 países para oferecer jogos através de browser a mais de dois mil milhões de utilizadores.

O seu novo esforço é construir uma plataforma de videojogos acessível a todos, seja no Chrome ou no Android, justificando que através da partilha de um simples link, seja possível desfrutar os melhores jogos, sem a necessidade de um computador de topo.

Nesse sentido, o Project Stream é substituído pelo nome definitivo Stadia, a sua plataforma de jogos em streaming. Phil Harrison (ex-Atari, PlayStation e Microsoft Xbox), uma das caras mais conhecidas da indústria está à frente do projeto. O executivo coloca assim à disposição dos estúdios e produtores a sua plataforma de cloud, destacando a parceria com a Ubisoft que acreditou desde início no projeto, tendo disponibilizado Assassin’s Creed Odyssey para os testes.

Phil Harrison destaca três aspetos da visão do projeto: criações, escala e conectividade. Passando à prática, imaginando que os utilizadores estão a ver um vídeo no YouTube, e tem um botão “Play”, o espetador passa a jogar em cinco segundos, sem downloads. E essa experiência será possível seja num PC, num tablet, portátil ou smartphones, assim como televisões, "sem a necessidade de caixas ou consolas", salienta ironicamente o ex-líder da PlayStation e Xbox.

Na demonstração em direto, no palco, o utilizador saltou entre um PC, telemóvel ou televisão, utilizando a mesma sessão de jogo de forma instantânea, sem quebras ou pausas no jogo. É possível jogar com qualquer periférico que já detenha, sejam comandos, ratos ou teclados. No entanto, a Google apresentou o Stadia Controller, que está ligado em streaming ao cloud do serviço. Tem dois botões especiais: o botão de partilha, para enviar experiências a amigos; o segundo é para ter acesso a funcionalidades diretas dos próprios estúdios.

No lançamento, a arquitetura vai suportar jogos a 4K, a 60 frames por segundo, mas deixa já a promessa para no futuro introduzir o 8K a 120 FPS. Todos os jogos serão simultaneamente jogados, mas igualmente transmitidos no YouTube, com o máximo qualidade – uma excelente notícia para os criadores de vídeos e live streams na plataforma. "O Data Center será a vossa plataforma de jogos", refere o engenheiro.

A Google fez parceria com a Epic para o motor Unreal, assim como Unity, e o motor de física Havok, para oferecer todas as ferramentas que os criadores necessitam para produzir jogos para a plataforma, prometendo o SDK mais flexível e dinâmico existente no mercado. A iD Software, o estúdio responsável por Quake, Doom e mais recentemente Rage, é um dos estúdios que entraram no “barco” da Google. Trata-se de um estúdio que tem o motor idTech, que já foi o principal rival de Unreal. O estúdio criou Doom Eternal, a sequela do recente reboot, tendo demorado apenas algumas semanas a adaptar o jogo para a plataforma Stadia, sendo um dos primeiros a chegar, e a correr em streaming a 4K com HDR e a 60 FPS.

A experiência multijogador será também otimizada, segundo a fabricante, já que liga o data center sincronizado do jogo, com os servidores das partidas online. A promessa é trazer centenas ou milhares de jogadores para um battle royale, assegurando que será seguro e anti-batota. Será também compatível com cross-play, significando que poderá jogar Fortnite no Stadia, contra jogadores na consola, por exemplo.

Os produtores poderão criar mundos multijogador integrados massivamente, capaz de elevar a experiência, com sistemas destrutíveis, e capaz de albergar centenas de jogadores sem latência. O mesmo para jogos que oferecem experiências multijogador, em ecrã dividido, permitindo jogarem juntos sem sacrificar a qualidade de imagem ou o framerate. A tecnologia chama-se Stream Connect e vai permitir jogar de forma assimétrica, em que os jogadores podem ter experiências distintas dentro do mesmo jogo.

Luz Sancho, da Tequila Works, é a representante da indústria indie, que a Google não pretende deixar de fora. Apresentou Style Transfer, o que significa que os jogos têm um esqueleto, que podem depois ser ilustrados em tempo real, com um estilo gráfico desejado. O estúdio refere que esta tecnologia tem um enorme impacto, sobretudo para estúdios que não têm recursos para investir na investigação de um estilo artístico para o seu jogo.

A última funcionalidade foi mostrada pela Q-Games, o State Share, os produtores oferecem aos jogadores instantaneamente os seus momentos, o que pode ser a sua posição num jogo, o estado do seu inventário, e outras informações através de mensagens nas redes sociais, como a ferramenta de comunicação Discord, por exemplo. Imagine estar a enfrentar um boss e partilhar o momento online, de forma instantânea com outro jogador.

Já no que pode o Stadia representar para a comunidade de streamers, a Google pretende introduzir ferramentas de maior interação entre criadores e fãs, assim como formas de partilhar os conteúdos.

O Google Assistant irá ajudar também os jogadores, seja um utlizador “encravado” num puzzle ou boss, que invés de ir procurar um tutorial num smartphone à mão, basta premir um botão do comando do Stadia e utilizar o assistente inteligente da Google para obter ajuda. A plataforma vai permitir aos criadores e editoras, partilhar rapidamente nas redes sociais e plataformas, links para os jogos.

A empresa apresentou ainda o Stadia Games and Entertaiment, o primeiro estúdio interno de videojogos da empresa, e claro, Jade Raymond, contratada recentemente é a líder do estúdio. A responsável do estúdio afirma que pretende reimaginar a próxima geração de videojogos, mas quer manter uma ligação com outras produtoras, “grandes ou pequenas”, de forma a partilhar ferramentas.

Para aceder às ferramentas de desenvolvimento, a Google apresenta um programa de desenvolvimento para criadores, convidando os jogadores a registarem-se no site oficial. O serviço será lançado primeiro nos Estados Unidos, Canadá, Reino Unido e Europa durante 2019, prometendo novidades para o verão. Google a caminho da E3? É uma certeza…

O artigo foi editado pela última vez às 18:00 com todas as informações do Google Stadia.

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