Em janeiro deste ano o WhatsApp limitou o número de grupos a que um utilizador pode mandar mensagem. A decisão tinha como objetivo evitar o uso indevido da aplicação para espalhar notícias falsas, manipular fotos, partilhar vídeos sem contexto ou áudios enganosos.

Uma investigação da Universidade Federal de Minas Gerais, no Brasil, revelou que a medida tomada pela plataforma do Facebook não está a ser são eficaz quanto se calculava, avança o Poynter Institute.

A equipa que realizou o estudo concluiu que a medida posta em vigor na rede social ajuda em alguns casos a travar a disseminação de informação, mas não previne a difusão de conteúdo viral.

De acordo com declarações de Fabricio Benevenuto, um dos investigadores que liderou o relatório, ao Poynter Institute o WhatsApp apresenta o “ambiente perfeito para a disseminação de informação falsa”.

As conversas dos utilizadores da aplicação são encriptadas, algo que dificulta a identificação do remetente original de uma mensagem viral que foi reenviada inúmeras vezes. Além disso qualquer utilizador pode participar num grupo público desde que tenha acesso ao seu link ou código QR.

Um estudo da universidade de Oxford, lançado em setembro, já tinha revelado que 70 governos usam redes sociais para levar a cabo campanhas de desinformação. A investigação de Samantha Bradshaw e Philip N. Howard demonstrou que o WhatsApp é uma plataforma proeminentemente utilizada por entidades governamentais brasileiras para manipular a opinião do eleitorado.

O WhatsApp Monitor, criado por Fabricio Benevenuto para ajudar os investigadores a compreender que tipo de conteúdo é partilhado na rede social, revelou que, só no Brasil, existem mais de 400 grupos políticos de WhatsApp.

Um dos casos que demonstra a falta de eficácia da medida tomada pela plataforma do Facebook sucedeu em maio deste ano. Abraham Weintraub, o ministro da Educação brasileiro, justificou o corte de 30% no orçamento para as universidades ao alegar que os campus universitários promoviam a “balbúrdia” sendo antros de deboche, avançou o Estadão.

Segundo a plataforma de fact checking brasileira Aos Fatos, o WhatsApp Monitor revelou que, em menos de 24 horas, 350 grupos de WhatsApp partilharam inúmeras imagens de alunos nus sem contexto, elogiando a medida de Weintraub.

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