A Amazon, a Apple, o Facebook e a Google estão a ser investigados pela Federal Trade Comission (FTC) por suspeita de usarem o seu poder no mercado para eliminar qualquer oportunidade concorrencial de empresas mais pequenas. Os líderes das quatro gigantes tecnológicas vão ser hoje ouvidos pelo Congresso norte-americano, para testemunhar acerca das práticas das suas empresas no mercado.

Todos os CEOs já apresentaram de antemão os seus discursos onde argumentam contra as suspeitas da FTC, afirmando que, apesar da dimensão e poder das suas empresas, ainda enfrentam uma forte concorrência nos mercados internacionais.

Ao contrário de Tim Cook, Sundar Pichai e Mark Zuckerberg, que já testemunharam em audiências no Congresso, Jeff Bezos vai ser ouvido pelos congressistas norte-americanos pela primeira vez. “Eu acredito que a Amazon deve ser escrutinada. Devemos escrutinar todas as grandes instituições, sejam elas empresas, agências governamentais e organizações sem fins lucrativos”, afirma o responsável.

Nas declarações que tem planeadas, o CEO da Amazon começa por falar acerca do seu passado e das lições que aprendeu na juventude e do processo de formação da empresa. O responsável argumenta que, ao criar o seu próprio mercado, a Amazon “abriu a porta” aos pequenos e médios vendedores, permitindo que chegassem a um maior público e aumentassem o seu volume de vendas. O CEO da Amazon afirma também que a sua empresa ajudou a criar mais de 2,2 milhões de postos de trabalho em todo o mundo.

Embora seja a maior retalhista online nos Estados Unidos, Jeff Bezos, afirma que a Amazon representa apenas 4% de todo o mercado no país e 1% de todo o mercado internacional. Quanto à concorrência norte-americana, o responsável destaca que a Walmart, por exemplo, é “uma empresa com o dobro do tamanho da Amazon”, e menciona ainda novos players, como a Shopify e a Instacart.

Apple foca-se na “feroz concorrência” do mercado de smartphones

Já Tim Cook concentra-se na “feroz concorrência” que existe no mercado de smartphones, mencionando “rivais” como a Samsung, a Huawei, a Google ou a LG. Nas suas declarações, o CEO da Apple argumenta que os produtos da sua empresa não têm uma quota de mercado dominante em qualquer um dos países onde faz negócios.

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À semelhança de Jeff Bezos, Tim Cook sublinha que o ecossistema da empresa da maçã ajudou na criação de múltiplos postos de trabalho, ao todo, mais de 1,9 milhões nos Estados Unidos.

As práticas da gigante tecnológica em relação à forma como gere a App Store têm sido alvo de escrutínio na Europa e nos Estados Unidos. Tim Cook defende-se contra as suspeitas dos reguladores de que a empresa aplica as suas regras de forma inconsistente, em particular no que toca a aplicações que estão em concorrência direta com os seus produtos.

Google aponta para a concorrência fora do mundo dos motores de busca

Recorde-se que em novembro de 2019, o Supremo Tribunal norte-americano decidiu expandir a investigação antitrust à Google para aferir se a gigante tecnológica estava a respeitar as leis da concorrência no seu motor de pesquisa e nos produtos que desenvolve para a plataforma Android.

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O Google é o motor de busca dominante nos Estados Unidos, mas Sundar Pichai argumenta nas suas declarações que a gigante tecnológica enfrenta concorrência por parte de inúmeros “rivais” e que o seu contínuo sucesso não é algo “garantido”, uma vez que o panorama da concorrência mudou significativamente nos últimos cinco anos.

“Hoje, as pessoas têm mais formas de procurar por informação e isso acontece cada vez mais fora do contexto dos motores de busca”, sublinha o CEO da Google e da Alpabet, dando como exemplo o caso da Alexa da Amazon, do WhatsApp, do Twitter, do Snapchat e até do Pinterest.

O responsável afirma ainda que os utilizadores vão em busca de informação sobre produtos específicos através das plataformas de ecommerce, seja através da Amazon, do eBay ou da Walmart.

O responsável sublinha também que o sistema operativo Android foi concebido para promover a existência de concorrência entre as empresas, dando-lhes a possibilidade de usar os produtos da Google sem qualquer tipo de requerimento prévio ou de taxas.

Facebook sublinha os valores americanos e posiciona-se contra a China

Já Mark Zuckerberg afirma que o Facebook, visto pelo CEO como uma empresa “orgulhosamente americana” enfrenta uma forte concorrência nos mercados internacionais.

“Acreditamos em certos valores – democracia, concorrência, inclusão, liberdade de expressão - sobre os quais a economia americana foi construída”, sublinha o responsável, fazendo uma comparação com o mercado chinês. “A China, por exemplo, está a construir a sua própria versão da Internet, centrada em ideias muito diferentes, e está a exportar essa visão para outros países”.

O CEO do Facebook menciona ainda as aquisições feitas pela empresa ao longo do tempo, como por exemplo, a do Instagram ou do WhatsApp, defendendo que os serviços prestados melhoraram após a compra.

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