A localização da Web Summit em Lisboa é muitas vezes apontada como mais um fator de desenvolvimento do ecossistema empreendedor em Portugal, mas na base do crescimento registado nos últimos anos há muito trabalho de investimento no desenvolvimento de startups e na atração de empresas e investidores para Portugal. Miguel Fontes, da Startup Lisboa, Inês Silva, da Portuguese Women in Tech / Aliados Consulting, e Paulo Santos, do Instituto Pedro Nunes, partilharam numa sessão do Web Summit a sua visão sobre o que está a mudar para confirmar Portugal como um tech hub.

As startups já têm um papel importante na economia em Portugal e a inovação é cada vez mais parte da estratégia de crescimento do país, como defende Miguel Fontes que afirma que já não são apenas algumas pessoas com boas ideias, mas um grupo significativo de empreendedores que criaram boas empresas e que têm impacto em muitas áreas da sociedade.  Mesmo assim, o CEO da Startup Lisboa, admite que é que difícil caracterizar o ecossistema de startups, porque vivemos tempos de incerteza, numa altura em que as empresas enfrentam um cenário que ninguém conseguia prever. "As pessoas dizem que os empreendedores têm de ser resilientes, e este é o caso, estamos a contar com isso", afirmou.

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Inês Santos Silva, que tem trabalhado nesta área desde 2010 e mais recentemente com a iniciativa Portuguese Women in Tech, sublinha a mesma resiliência e aceleração do ecossistema. "Passámos de um momento em que as pessoas não sabiam o que era o empreendedorismo para uma fase em que há muito mais dinamismo, várias rondas de investimento", mas também as ferramentas certas para ultrapassar esta fase.

No Instituto Pedro Nunes a fazer incubação de empresas tecnológicas há cerca de 25 anos, Paulo Santos reconhece também uma evolução significativa, em que se atingiu já um estado de maturidade no ecossistema, com mais de 300 startups desenvolvidas e uma ligação forte à Universidade de Coimbra. "Numa cidade como Coimbra, com cerca de 100 mil pessoas, conseguimos construir um ecossistema com mais de 300 empresas e 75% estão a funcionar ainda com mais de 3 mil colaboradores e 300 milhões de dólares de faturação global, o que é importante para a economia local", defendeu.

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Os recursos naturais, como o clima e o ambiente, são importantes, mas não é isso que está a fazer a diferença a atrair empresas para Portugal. "As tensões são cada vez maiores em muitos locais e em Portugal vemos o oposto. Somos uma sociedade muito aberta onde as pessoas que vêm de fora se sentem em casa, não temos tensões étnicas", afirmou Miguel Fontes, reforçando a ideia de que, para além do que temos de recursos, temos uma sociedade mais cosmopolita onde os empreendedores conseguem encontram o que necessitam para ser bem sucedidos, desde o talento nos recursos humanos que também conseguem atrair do estrangeiro. E também encontrar um bom local onde os fundadores das empresas gostariam de viver.

Questionado sobre a falta de investimento Miguel Fontes admite que este não é um ponto forte, mas que isso está a mudar, e que desde que o Web Summit veio para Portugal há cada vez mais investidores a olhar para Portugal e para as empresas do ecossistema.

A dimensão do mercado é um dos elementos a considerar mas Inês Silva reconhece também que o nível de investimento está a aumentar, com mais Venture Capitals a olharem para Portugal e mais empreendedores a conseguir atrair financiamento internacional. "Portugal é um mercado pequeno e não vamos conseguir competir em termos de dimensão e de investimento, mas oferecemos boas condições para empreendedores se fixarem e mudarem para cá, e trabalhar daqui para o mundo", afirmou, lembrando que o trabalho remoto está para ficar e que isso pode ser uma vantagem competitiva.

Para além do talento, da ligação às universidades e as infraestruturas, Paulo Santos sublinha também que temos já provas de que "podemos fazer", com casos de startups bem sucedidas que podemos usar como exemplo. "Agora temos de surfar a onda o melhor que sabemos, e persistir", justifica, dizendo que isto é uma maratona e não uma corrida de 100 metros. "Temos de ser consistentes, continuar a trabalhar, ser bons anfitriões e promover alianças entre os locais e estrangeiros, tirando partido das características de uma sociedade aberta", sublinha o diretor executivo do  Instituto Pedro Nunes.

O SAPO TEK está a acompanhar tudo o que se passa no Web Summit e pode seguir aqui as principais notícias e intervenções com a nossa equipa. Se tiver sugestões ou recomendações de talks e startups envie-nos um email.

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