O presidente americano Donald Trump admitiu esta quarta-feira que está disponível para dar um desconto nas taxas impostas a produtos importados da China, se o Governo de Pequim der o seu aval a um negócio que desbloqueie a situação do TikTok nos Estados Unidos.

Recorde-se que os Estados Unidos aprovaram em abril do ano passado uma lei que obrigava o TikTok a mudar de dono e a sair da esfera de influência do Governo chinês, onde se acredita estar com a atual estrutura acionista da ByteDance, dona da rede social. A alternativa era sair do país.

A lei tinha de ser cumprida até ao final de janeiro. A ByteDance não abdicou da posição e optou por tentar contestar a decisão na justiça com todas as ferramentas legais que tinha à disposição, sem sucesso.

A rede social chegou mesmo a ser bloqueada pelos operadores, cumprindo a legislação quando terminou o prazo previsto e nada mudou. Trump tomou posse logo a seguir e reverteu temporariamente a decisão, com o intuito de encontrar uma solução que permitisse manter a rede social a funcionar no país, onde é usada por 170 milhões de pessoas, sem que isso significasse manter ativas as ameaças à segurança nacional que tinham motivado a decisão de bloqueio.

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Recorde-se que no mandato anterior Trump tinha iniciado um processo idêntico para bloquear o acesso ao TikTok nos EUA, pelas mesmas razões. Na campanha para a segunda eleição já tinha assumido que mudara de ideias em relação ao tema. Quando foi eleito confirmou essa decisão e assumiu que ainda tinha reforçado mais a ideia de manter o TikTok a funcionar no país, depois de ver o impacto que a utilização da plataforma teve na sua campanha e reeleição.

Trump também disse quando assinou a ordem executiva que “congelou” o bloqueio do TikTok que acreditava nem precisar dos três meses previstos na ordem para encontrar uma solução que resolvesse a questão. Com o fim do prazo de 5 de abril a aproximar-se já parece claro que não será possível resolver a questão em menos de três meses. O chefe da Casa Branca já veio aliás admitir que pode haver uma extensão do prazo para que seja possível chegar à solução desejada.

A solução desejada passa pela venda da operação nos Estados Unidos a investidores americanos. Trump tinha apontado quatro como bem posicionados para fecharem o negócio, também chegou a falar numa solução que passasse por uma espécie de parceria pública e privada entre o Governo federal e empresas locais.

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Esta quarta-feira assumiu à imprensa local a possibilidade de usar as taxas que têm servido de ameaça à renegociação das relações comerciais com quase todos os países com posições relevantes nas importações americanas, para fechar o negócio.

Trump reconheceu o papel que a China desempenhará na concretização de qualquer acordo, assumindo que “talvez lhes dê uma pequena redução nas tarifas ou algo do género para o conseguir”, cita a Reuters.

A agência avançou na semana passada que as negociações com investigadores que a Casa Branca tem vindo a conduzir, estão agora principalmente centradas num plano para que os maiores investidores não chineses da ByteDance aumentem as suas participações e adquiram as operações norte-americanas da aplicação. Esta informação ainda não teve confirmação oficial.

O ministro do comércio da China reafirmou no final da semana passada, durante uma conferência, que o seu país está disposto a dialogar com Washington “com base no respeito mútuo, na igualdade e no benefício mútuo”, refere também a Reuters. As taxas para produtos importados da China para os Estados Unidos estão neste momento nos 20%.