Até meados de 2022 o mercado vibrante das startups e as avaliações generosas dos investidores fizeram escalar para 1.200 o número de unicórnios a operar no mercado com este estatuto, mas os trimestres seguintes trouxeram uma realidade diferente.

A instabilidade da economia e a subida das taxas de juro têm afetado também a capacidade e disponibilidade de investimento. Há menos negócios e as avaliações das empresas são hoje muito menos generosas e otimistas do que nos anos recentes. As operações de financiamento de startups através de capital de risco caíram para os níveis mais baixos dos últimos anos.

Esta mudança teve um impacto significativo no ritmo de nascimento de novos unicórnios. Uma nova pesquisa da CBInsights mostra que no terceiro trimestre deste ano apenas 12 empresas ascenderam a este estatuto, o número mais baixo dos últimos seis anos. No último ano, desde outubro do ano passado, ganharam estatuto de unicórnio 59 empresas.

O clube dos unicórnios toca 52 países, onde não se incluem Portugal, já que todas as empresas de origem portuguesas listadas no ranking têm sede nos Estados Unidos. Esta preferência das empresas pelos Estados Unidos para montarem os quartéis generais dos seus negócios dá ao país uma quota de 53% no que se refere aos países de origem dos unicórnios listados. O segundo país do mundo com mais empresas de capital privado a valer mais de 1.000 milhões de dólares (14% do total) é a China, com startups concentradas sobretudo nas áreas da indústria e do consumo e retalho.

Portugal faz-se representar nesta lista, de forma indireta, através da Talkdesk (47ª), Mambu (125º), OutSystems (176º), Anchorage Digital (314º), Remote (320º), Sword Health (498º) e Feedzai (1059º).

Veja a classificação dos unicórnios de origem portuguesa no gráfico feito a partir dos dados da CBInsights

CBInsights - Ranking dos 1220 Unicornios
créditos: CBInsights /SAPOTEK

O mais antigo dos unicórnios de origem portuguesa, a Farfetch, por ser hoje uma empresa cotada em bolsa já não pode entrar neste ranking, ainda que seja outro bom exemplo das dificuldades que as empresas de tecnologia estrela nos seus sectores têm tido para segurar valorizações muito altas. No último ano, as ações da companhia fundada por José das Neves perderam mais de 80% do seu valor. Hoje valem menos de 2 dólares.

Unicórnios valem quase 4 biliões de dólares

A pesquisa da CBInsights mostra que, em conjunto, os 1.220 unicórnios que identificou valem 3,8 biliões de dólares, qualquer coisa como o valor da Amazon, Meta e Google combinados. As tecnologias empresariais enquadram a maior fatia destas empresas, com 30% dos unicórnios listados. Subdividindo este grupo de empresas, verifica-se que os segmentos mais representativos são os das soluções para recursos humanos, cibersegurança e gestão de dados, que detém uma quota de 5% cada um, no universo global de unicórnios.

Os unicórnios de serviços financeiros, por seu lado, representam 18% do total e as empresas da área do consumo e retalho têm uma representatividade de 17%.

Em cada um dos sectores representados, os unicórnios mais valiosos são a Databricks (tecnologias empresariais), que vale 43 mil milhões de dólares; a Shein (consumo e retalho) que vale também 43 mil milhões de dólares; a SpaceX, que no segmento espacial continua a ser o unicórnio mais valioso - 105 mil milhões de dólares; a Devoted Health, que leva o mesmo título na saúde e bem estar (12,6 mil milhões de dólares).

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Na área de media e entretenimento a liderança é da chinesa Bytedance, dona do TikTok, que vale 225 mil milhões de dólares, enquanto nos seguros destacam-se a Howden Group Holdings, avaliadas em 5 mil milhões.

O sector que demonstrou maior capacidade para “fabricar” unicórnios neste último ano foi o das tecnologias empresariais (que viu nascer 20, um terço do total). De sublinhar que mais de um terço dos unicórnios que nasceram neste sector ao longo do último ano são empresas que exploram tecnologias de inteligência artificial generativa.

Nestas empresas também se destaca o facto de estarem a conseguir atingir o estatuto de unicórnios mais depressa que o normal. Em média, as startups que alcançam este patamar levam sete anos para lá chegar, estas empresas estão a levar quatro anos.

Menos de 5% das empresas no ranking da CBInsights conseguiram segurar valorizações superiores a 10 mil milhões de dólares e apenas 2 valem hoje mais de 100 mil milhões. A grande maioria dos unicórnios vale 2 mil milhões de dólares ou menos.

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