A Ericsson é um dos parceiros industriais dos operadores portugueses e desde 2017 que a empresa trabalha também em Portugal em casos de utilização e na tecnologia, com equipamentos pré-comerciais, como garantiu hoje Luis Miguel Silva, presidente da Ericsson em Portugal, numa apresentação à imprensa em Lisboa. A empresa está há mais de seis décadas em Portugal e tem uma equipa de cerca de 300 pessoas que abrange várias áreas de negócio, mas está focada também no desenvolvimento do 5G, garantindo que o país está preparado para este salto tecnológico.

Em sintonia com o que foi discutido na semana passada no Congresso da APDC, Luis Miguel Silva admite que "estamos atrasados", e fazendo uma analogia lembra que não estamos na primeira vaga da tecnologia. "Chegámos a estar 2 anos à frente noutras tecnologia e não é o caso", afirmou em resposta aos jornalistas.

"Portugal tem sido sempre um país inovador e tem estado sempre à frente", afirmou o presidente da Ericsson em Portugal, que lembrou que o tema não é só tecnológico e que é preciso desenvolver casos de utilização e trabalhar com a indústria. E qual é o impacto desse atraso? "Não sendo um país de grande dimensão, neste sector temos de nos diferenciar por outros argumentos e sempre foi pela inovação e competitividade", explica, dizendo que o país tem estado "à frente tecnologicamente" e que somos "orgulhosamente reconhecidos por isso no mercado das comunicações".

Mesmo assim admite que temos de estar muito orgulhosos pelo nosso mercado. "Temos 3 redes fabulosas, e da mesma maneira que estávamos preparados para 4G também estamos preparados para 5G", justifica.

Potencial de crescimento de mercado

A Ericsson já tem 76 acordos comerciais para o 5G, a sua tecnologia está em 23 redes comerciais ativas, e todos os números apontam para o crescimento comercial explosivo, como mostra o mais recente Mobility Report da empresa.

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Os números de investimento são também apelativos, e um estudo realizado com a Arthur D Little para avaliar o impacto na transformação digital mostra que, para um potencial de mercado de 3.800 mil milhões de dólares, o investimento relacionado com o 5G vai permitir um crescimento de 39%, representando 700 mil milhões de dólares.

Extrapolando o estudo para Portugal, o investimento adicional pode ser de 4 mil milhões de euros, com algumas áreas de negócio a destacarem-se, nomeadamente a saúde, indústria, energia e utilities, apontou Nuno Roso, da Ericsson. O executivo sublinhou porém que para explorar este potencial "tem de haver disponibilidade de espectro, estratégia governamental, commitment dos operadores e use cases nas empresas".

Em entrevista ao SAPO TEK, ainda no final do mês de Junho, Nuno Roso já destacava que o potencial do 5G está sobretudo nas empresas e não tanto no consumidor final, embora os números de utilização em redes 5G comerciais na Coreia do Sul indiquem que os utilizadores passaram a consumir mais dados, sobretudo para vídeo, e a ligarem-se menos a redes Wi-Fi, depois de subscreverem serviços de quinta geração móvel.

O potencial disruptivo do 5G foi também destacado por Luis Muchacho, diretor de pré-vendas de rede da Ericsson, que destacou os benefícios da velocidade e da baixa latência, que, combinados, permitem responder a exigências de aplicações críticas, como as cirurgias remotas, ou controle de espaços industriais.

Nota da Redação: A notícia foi atualizada com mais informação. Última atualização 20h03

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