Através de dados recolhidos pelo rover Curiosity, um grupo de cientistas norte-americanos descobriu que a cratera marciana de Gale poderá ter sido afetada por inundações de proporções catastróficas há cerca de 4 mil milhões de anos.

De acordo com o estudo realizado em colaboração com o Jeth Propulsion Laboratory da NASA e publicado na revista científica Nature, os investigadores determinaram que os sedimentos observados foram depositados por inundações que sucederam após a formação da cratera.

Os cientistas explicam que o fenómeno pode ter sido causado pelo impacto de um meteorito, o qual gerou calor suficiente para derreter grandes quantidades de gelo no planeta. O impacto fez também com que fossem libertados gases como dióxido de carbono e metano, que, combinados com o vapor de água, deram origem a um clima húmido.

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A presença de um novo clima originou chuvas torrenciais por todo o planeta e a água, acompanhada por sedimentos, escorreu pelo monte Sharp e inundou a cratera de Gale. O fenómeno deu também origem às megarriples, ou megaondulações na superfície marciana.

Outrora, o rover Curiosity já tinha ajudado os cientistas da NASA a descobrir indícios de um lago antigo na cratera de Gale, assim como elementos químicos essenciais à presença de vida microbiana. Recorde-se que, apesar das suas condições inóspitas, Marte é considerado o planeta do Sistema Solar mais parecido com a Terra. As estruturas geológicas demonstram que terá existido água líquida em quantidade significativa no planeta, um elemento fundamental para a vida tal como se conhece.

De acordo com Alberto G. Fairén, coautor do estudo, Marte foi “um planeta extremamente ativo” durante os seus primeiros anos. “O planeta tinha as condições necessárias para suportar a presença de água líquida à sua superfície e, na Terra, onde existe água há vida”, afirma o investigador.

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Agora, o rover Perseverance terá a missão de encontrar indícios de vida antiga em Marte. Se tudo correr como planeado, chegará a Marte a 18 de fevereiro de 2021, aterrando na cratera Jezero, onde terá existido um lago há 3,5 mil milhões de anos e a foz de um rio.

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