Sem fins lucrativos, a recém-formada Associação Portuguesa de Videojogos (APVJ) é o resultado de um esforço conjunto de estúdios e produtores nacionais para elevar a indústria de produção de gaming “made in PT” a um próximo nível, ou seja, conquistar os mercados internacionais. E se no estrangeiro já existem portugueses bem posicionados, em cargos de importância como o Rui Casais, CEO da Funcom, o Tiago Sousa da id Software, ou o Luis António, que foi recentemente reconhecido na E3 com o seu 12 Minutes; em Portugal já se começa também a ter destaque “lá fora”, como é o caso de Decay of Logos da Amplify Creations que já tem assegurado a distribuição internacional através da Rising Star Games.

Mas ainda há um longo caminho a percorrer para mostrar o talento português além-fronteiras, e a APVJ pretende encurtá-lo o máximo possível. Ricardo Flores Santos, Presidente da Comissão Instaladora da APVJ, destacou ao SAPO TEK que o papel da Associação “é integrar os criadores nacionais num ecossistema nacional e internacional onde as parcerias entre associações congéneres e associados geram valor acrescentado”. Além disso, pretende estabelecer uma ligação entre as instituições públicas, nomeadamente o Governo e universidades, e as empresas que compõem a indústria de videojogos em Portugal. E isso inclui toda a burocracia inerente à legislação, os direitos de autor, incentivos ao desenvolvimento de projetos e a produção.

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Ricardo Flores Santos, Presidente da Comissão Instaladora da APVJ.

Neste primeiro ano “de vida”, a APVJ teve como objetivo desenvolver os seus estatutos para que no final do ano de 2019 sejam feitas eleições para os seus corpos sociais, finalizando assim o período de instalação. Pelo meio, a Associação começou a reunir-se com várias entidades públicas para “defender o reconhecimento dos videojogos como um produto cultural e criar ligações com outras associações e organizações internacionais”, refere Ricardo Flores.

"Neste momento Portugal conta entre 650 e 850 profissionais diretamente ligados à produção de videojogos em aproximadamente 35 estúdios".

De forma a mostrar o trabalho em decurso dos seus estúdios associados, a APVJ será parceira do evento Lisboa Games Week, contando com um espaço de demonstração de jogos e projetos oriundos de criadores nacionais. E segundo o líder da Associação, “neste momento Portugal conta entre 650 e 850 profissionais diretamente ligados à produção de videojogos, em aproximadamente 35 estúdios”.

Ricardo Flores salienta ainda que todos os anos são formados perto de 150 novos profissionais nas diferentes áreas dos videojogos, resultante de 16 cursos superiores e técnicos já existentes em Portugal: “aliás, a procura de pessoas formadas em videojogos tem crescido anualmente em Portugal”, explica o Presidente da APVJ, para as áreas ligadas à gamification, marketing e animação em tempo real aplicada à publicidade ou arquitetura.

Na galeria saiba quais os estúdios nacionais e produtores que vão estar presentes na próxima edição da Gamescom/Devcom, na próxima semana em Colónia, Alemanha.

O novo boom de estúdios e jogos com expetativas internacionais

“Ao contrário de muitos outros países, como por exemplo Finlândia ou Alemanha, não existe ainda escassez de recursos. Há talvez alguma falta de senioridade, mas mesmo isso tem vindo a mudar com o regresso de alguns profissionais que estiveram no estrangeiro ou mesmo com a vinda para Portugal de profissionais experientes que se integram em projetos existentes ou criam novos estúdios”, explica Ricardo Flores.

E como é preciso exemplos para espelhar a vontade de concretizar, a Associação conta já com estúdios com videojogos quase a chegar ao mercado. Como referido, Decay of Logos sai já no final de agosto para PC e todas as consolas do mercado, e há quem já estabeleça comparações a The Legend of Zelda: Breath of the Wild. Mas apesar de ser o título mais “quente” da atualidade, há outros a salientar. Those Who Remain, da Camel 101, que chamou a atenção no IndieX, na edição do ano passado da Lisboa Games Week, também será lançado nas principais plataformas de jogos e PC.

Existem ainda títulos em produção mais específicos, como a Doppio, que ainda recentemente conseguiu assegurar um milhão de euros de uma ronda de investimento, que colocou a bordo a Google, Amazon, a Portugal Ventures e a Busy Angels, e mesmo investidores individuais da Supercell e Unity. E depois tem também a ONTOP, a empresa liderada por Nuno Folhadela, que tem vindo a receber prémios com o seu jogo de realidade aumentada PuzzlAR, agora integrado no Magic Leap. “No universo mobile o recentemente lançado “Traffix” da Infinity Games que tão boas reviews tem tido em meios consagrados como a The Verge”, destaca finalmente Ricardo Flores.

Olhando para os últimos dois anos, Ricardo Flores está otimista, destacando o amadurecimento da indústria. “Depois da crise e do boom que se seguiu, vários estúdios conseguiram estabilizar equipas e desenvolver novos jogos, criando para si um modelo viável de financiamento e produção”, salientando que há um registo do regresso de profissionais experientes que trouxeram mais oportunidades de desenvolvimento de projetos para estúdios estrangeiros. Fazendo um balanço de 2019, há um otimismo acentuado, já que “tem existido um forte investimento externo e mesmo interno na indústria nacional”, onde vários estúdios estão em processo de recrutamento aberto e com perspetivas de crescimento.

"A APVJ quer também ser o interlocutor com as instituições públicas (...) no que diz respeito à legislação, direitos de autor e incentivos ao desenvolvimento e produção."

E para consolidar esse crescimento em 2019, são vários os estúdios portugueses que vão estar representados na próxima Devcom e Gamescom, a segunda grande delegação do ano, considerando que em março estiveram no Games Finance Market em Londres. “A Devcom/Gamescom é o maior da indústria a nível mundial com praticamente uma semana de B2B intensivo. Surgiu a hipótese de uma parceria entre a organização do evento e vários estúdios e criadores nacionais para aproveitaram esta oportunidade de estarem presentes”, reforça Ricardo Flores. O objetivo será assistir às palestras, aprender o máximo possível e claro, fazer networking para dar a conhecer os jogos feitos em Portugal, salienta ao SAPO TEK.

Na prática estarão presentes na Devcom a Fly Home studio, Fun Punch Games, Nerd Monkeys, ONTOP, RedCatPig, Whales and Games, Massive Galaxy e o criador José Castanheira; e pela Gamescom será possível encontrar a Doppio, BigMoon, Amplify Creations, ZPX e Camel 101.

Ricardo Flores deixa o convite aos produtores de videojogos portugueses para chegarem à Associação Portuguesa de Videojogos no seu website oficial ou mesmo através da página no Facebook.

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