A TikTok tornou-se rapidamente numa das aplicações preferidas de muitos utilizadores durante o período de isolamento social causado pela pandemia de COVID-19. Recentemente, Kevin Meyer, antigo executivo da Disney, passou a assumir o papel de CEO da TikTok e de COO (Chief Operating Officer) da chinesa ByteDance. Numa altura em que as tensões entre os Governos norte-americano e chinês estão a aumentar, a empresa-mãe da popular aplicação quer afastar o centro do seu poder para fora da China e passá-lo para os Estados Unidos.

De acordo com fontes a que Reuters teve acesso, a ByteDance já começou a levar a cabo a mudança de uma forma silenciosa. A estratégia tem em mente a TikTok, assim como todos os negócios da empresa que não são direcionados para o mercado chinês.

As fontes revelam que a ByteDance já montou operações de pesquisa e desenvolvimento em Mountain View, na Califórnia, contratando mais de 150 colaboradores. A empresa contratou também a norte-americana Michelle Huang como diretora de relações com investidores, um papel anteriormente desempenhado por entidades de Pequim.

Para a TikTok, a rápida expansão da equipa norte-americana de engenheiros de software é um dos pontos-chave do processo de migração. Contudo, a vasta maioria do trabalho de programação é feito na China. Os engenheiros chineses apoiam tanto a TikTok como a Douyin, a versão chinesa da aplicação, e as fontes explicam que separar o processo de desenvolvimento das aplicações seria quase impossível, pois ambas partilham elementos a nível de infraestrutura.

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Recorde-se que a ByteDance tem vindo a enfrentar o escrutínio do Governo e de múltiplas entidades norte-americanas. Em 2019, a TikTok foi considerada como um perigo para a segurança nacional. A decisão terá surgido depois de uma carta enviada pelos senadores Chuck Schumer e Tom Cotton ao Centro Nacional de Contraterrorismo dos Estados Unidos, onde se afirma que a aplicação pode “ser manipulada pelo governo chinês”.

Na altura, Vanessa Pappas, general manager do TikTok nos Estados Unidos garantiu, em comunicado à imprensa, que todos os dados dos utilizadores americanos são armazenados em data centers fora da China, sendo que estes não estão sujeitos às leis chinesas. Além disso, a empresa disse contar “com uma equipa técnica dedicada e focada em implementar políticas robustas de cibersegurança e práticas de privacidade e segurança de dados”.

No início de dezembro do mesmo ano, Ryan McCarthy, o secretário do exército dos Estados, ordenou uma investigação ao TikTok. Já no final do mês, a marinha dos Estados Unidos proibiu a instalação da aplicação em smartphones cedidos pelo governo por motivos de segurança nacional.

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Já em 2020, um grupo de associações e ativistas dos direitos dos consumidores, das crianças e da privacidade apresentou à Federal Trade Commission (FTC) uma queixa contra a empresa. O grupo alega que a empresa está a violar a Lei Federal de Proteção à Privacidade Online para Crianças (COPPA) e que não se está a esforçar para manter os pais informados acerca da recolha de dados das crianças, apelando à FTC para abrir uma nova investigação às suas práticas.

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