A Agência Espacial Portuguesa dá a conhecer esta semana o enquadramento do Espaço no Plano de Recuperação e Resiliência. Em entrevista ao SAPO TEK, Ricardo Conde, presidente da Portugal Space, avança a novidade e revela detalhes sobre os próximos avanços nalguns dos projetos mais emblemáticos que Portugal tem por concretizar nos próximos anos, nesta área. 

Fala nos Açores, casa do futuro porto espacial português, que se espera assuma uma importância estratégica no promissor mercado de serviços de observação da Terra. Fala na definição e desenvolvimento de infraestruturas na ilha, para a aterragem do veículo espacial europeu Space Rider, do que tem sido feito para atrair novos atores para este mercado e na importância das startups. 

Esta entrevista complementa um conjunto de artigos sobre o sector do Espaço em Portugal, onde também se detalha o que está a ser feito nas 15 incubadora da Agência Espacial Europeia em Portugal. Onde se analisa o valor atual e previsto do mercado espacial em Portugal, no horizonte temporal da estratégia nacional para o Espaço e se mostra o que já conquistámos nesta área e até onde podemos ir. Pode encontrar mais novidades partilhadas pelo responsável da Portugal Space, também nestes artigos.  

SAPO TeK: 2021 é um ano crítico para a operacionalização da estratégia nacional do espaço. Qual é o próximo momento importante nesta caminhada? 

Ricardo Conde: O primeiro semestre de 2021, em que Portugal acumula a copresidência da Agência Espacial Europeia (ESA) com a Presidência do Conselho Europeu, será fundamental para a concretização da Estratégia Portugal Espaço 2030.  No próximo dia 23 de Abril, a Agência Espacial Portuguesa vai apresentar a Agenda Mobilizadora para o Espaço, no âmbito do Plano de Recuperação e Resiliência, através da qual serão implementados os desafios programáticos para o Espaço para os próximos anos.

"Em breve estarão finalizados os estudos técnicos para o lançamento da futura Constelação de Satélites para o Atlântico (Atlantic Constellation), que é um dos grandes desafios programáticos da Agência Espacial Portuguesa"

SAPO TeK:...em relação aos projetos que envolvem os Açores, estão previstas novidades para breve?

Ricardo Conde: Em breve estarão finalizados os estudos técnicos para o lançamento da futura Constelação de Satélites para o Atlântico (Atlantic Constellation), que é um dos grandes desafios programáticos da Agência Espacial Portuguesa, e que pretende dotar o país da capacidade de construir a sua própria política de dados de observação da terra, ao mesmo tempo que edifica uma nova capacidade industrial em Portugal com a sua produção e integração.

Estamos igualmente a dar os passos para dar um importante impulso ao Ecossistema Espacial de Santa Maria, nos Açores, em conjunto com o Governo Regional, e que passará pela definição e desenvolvimento das infraestruturas do segmento terrestre para a aterragem do Space Rider, o veículo suborbital que está a ser desenvolvido pela ESA, pelo grande desafio na implementação de um Porto Espacial em Santa Maria, contribuindo para a Europa, através dos Açores, aumentarem a sua soberania no acesso ao Espaço através de micro-lançadores.  

SAPO TeK: O que tem sido feito para cativar novas empresas para esta área do espaço?  

Continuamos a apostar fortemente no desenvolvimento e promoção das startups e PME na área do Espaço, assim como na atração de investimento estrangeiro neste sector, em particular de empresas que trabalhem em parceria com entidades portuguesas e conduzam à transferência de tecnologia.

No quadro europeu, Portugal, através da Agência Espacial Portuguesa, está a organizar o Africa-Europe Space Earth Observation High-Level Forum, que pretende fomentar a cooperação euro-africana em sistemas avançados de observação e processamento de dados da Terra em serviços e aplicações que podem contribuir decisivamente para a qualidade de vida das populações.

"Continuamos a apostar fortemente no desenvolvimento e promoção das startups e PME na área do Espaço, assim como na atração de investimento estrangeiro neste sector"

SAPO TeK: As startups podem vir a ser um ator importante na estratégia nacional para o espaço? Além da incubação, via ESA BIC, que outros instrumentos estão a ser desenhados para potenciar o desenvolvimento de novas ideias e novos projetos?

As startups são um elemento fundamental na estratégia nacional para o espaço e a Agência tem no programa ESA BIC um pilar da promoção do empreendedorismo no sector espaço em Portugal. Tem de ser um dos eixos de crescimento neste setor, atraindo novas empresas, novas ideias e novos projetos. Para além deste programa cabe destacar que este ano Portugal irá participar na competição Copernicus e Galileo Masters, com um desafio para o Atlântico e dois prémios regionais.

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A Portugal Space organiza anualmente o Moonshot Challenge para ideias inovadoras em diferentes temáticas, enquanto a Comissão Europeia irá potenciar o empreendedorismo através da iniciativa CASSINI e a Portugal Space quer potenciar a participação nacional nas diferentes partes do programa.

A Portugal Space está também a promover o espaço junto com fundos de investimento nacionais para atrair capital privado para as empresas da área do espaço.

Finalmente, dentro da ESA, existem programas como o Business Applications (BASS) subscrito por Portugal, que promovem o desenvolvimento de estudos de factibilidade e de projetos demonstradores e que são largamente utilizados para desenvolver ideias de startups nacionais.

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