À medida que os Governos internacionais começaram a implementar medidas de isolamento social devido à pandemia de COVID-19, o mundo tornou-se mais “calado”. Agora, um novo estudo revela que o confinamento registado entre os meses de março e maio foi o maior período de silêncio alguma vez registado na história da Humanidade.

De acordo com o estudo recém-publicado na revista científica Science, o período de confinamento surgiu como uma oportunidade única para os investigadores na área da sismologia perceberem o impacto das atividades humanas nas vibrações da Terra, conhecidas como ruído sísmico.

Os cientistas indicam que os humanos são a terceira maior fonte de ruído sísmico. As vibrações provocadas pelas atividades humanas acabam por misturar-se com os ruídos naturais da Terra, dificultando em muitos dos casos o trabalho dos sismólogos.

Os investigadores recolheram dados de 268 estações de monitorização sísmica à volta do mundo, combinando-os com as informações dos relatórios de mobilidade da Apple e da Google.

Ao todo, 185 das estações de monitorização sísmica demonstraram reduções significativas de ruído sísmico. O estudo detalha que o silêncio começou em finais de janeiro na China e, em meados de março, já se tinha alastrado pelo resto do mundo.

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Embora o período entre o Natal e o Ano Novo chinês seja de modo geral o mais silencioso, as diferenças em relação aos anos anteriores são notórias. Por exemplo, no Sri Lanka, registou-se uma redução na ordem dos 50%, o maior valor identificado. Até os sensores sísmicos que se encontram a uma grande profundidade foram capazes de detetar a redução das atividades humanas.

Recorde-se que, em março, várias imagens captadas por drones um pouco por todo o mundo davam já a conhecer um panorama de cidades desertas nos Estados Unidos devido ao confinamento.

As imagens revelavam parques e estádios vazios e as gigantescas avenidas, por norma com grandes engarrafamentos, sem carros. Toda a atividade geral parecia inexistente nas diversas cidades, como pode ver no vídeo de diferentes localidades que compilámos.

No mesmo mês, as fotografias aéreas divulgadas pela empresa de tecnologia espacial Maxar mostravam o antes e o depois de espaços normalmente bastante movimentados, agora com muito menos pessoas. Os “visados” incluíam atrações turísticas, de destinos religiosos a parques temáticos, mas também aeroportos, esvaziados à medida que se cancelavam viagens de negócios e de lazer.

O que nos dizem os dados de observação terrestre sobre o impacto da COVID-19?

Além dos instrumentos de medição presentes na Terra, os satélites têm ajudado os cientistas a perceber o impacto da COVID-19 nas atividades terrestres. A pandemia levou o setor do turismo a uma quase paralisação e, em junho, as imagens capturadas pela missão da Copernicus Sentinel-2 da ESA mostraram embarcações ancoradas e inúmeros aviões estacionados nas pistas.

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Em junho, a NASA, a ESA e a JAXA juntaram-se para criar o COVID-19 Earth Observation Dashboard, que disponibiliza dados sobre as principais mudanças na qualidade do ar, da água e do clima, assim como as alterações causadas pela propagação da doença nas atividades económicas e na agricultura.

Ainda antes do lançamento do dashboard interativo, os dados recolhidos por satélites revelaram que as medidas de isolamento postas em prática por Governos em todo mundo para conter a propagação da pandemia causaram um decréscimo no nível de poluição mundial e uma melhoria da qualidade do ar. Em abril, o Global Modeling and Data Assimilation Office da NASA dava conta de uma diminuição drástica das emissões de compostos poluentes em países como a China, a Coreia do Sul, a Itália e a Índia.

As imagens de satélite da ESA e da NASA também já tinham mostrado como os níveis de poluição tinham baixado na China. Na Europa, os mais dados do satélite Copernicus Sentinel-5P confirmaram em meados de abril quebras do nível de dióxido de nitrogénio de 45-50% em comparação ao período homólogo do ano passado.

Em Portugal, os dados processados pelos peritos do AIR Centre no início de abril demonstraram uma redução drástica nos níveis de NO2. No caso de Lisboa a diminuição foi mais significativa, chegando aos 80% em alguns locais da capital, e no Porto a redução atinge os 60%.

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