Há uma imagem que ficou para a história na indústria dos videojogos: a presença dos três líderes das principais consolas a partilhar o mesmo palco, durante o Video Games Awards de 2018. Shawn Layden, o presidente da Sony Worldwide Studios, Phil Spencer, o patrão da Xbox, e Reggie Fils-Aime, até então líder da Nintendo America (pouco tempo antes de se reformar) partilhavam a mensagem da unificação da comunidade gaming.

Foi mais que uma mensagem, mas uma promessa de cooperação em prol da mais poderosa indústria do entretenimento. O certo é há cada vez mais abertura e disposição em partilhar os seus exclusivos, um sinal que a indústria está a mudar.

Veja-se o acordo entre os eternos rivais Sony e Microsoft que em maio revelaram a assinatura de um acordo de parceria para o desenvolvimento de soluções de streaming de videojogos, tendo como base a plataforma cloud Azure da gigante de Redmond. O interessante neste acordo é que ambos reconhecem os respetivos serviços que na prática são concorrentes: a plataforma de jogos em streaming PlayStation Now da Sony e a futura solução xCloud da Microsoft. "Este compromisso contempla a construção de melhores plataformas de desenvolvimentos para a comunidade de criadores de conteúdos", sublinhou a Microsoft na altura.

Esta parceria serviu também como um pronúncio de que as fabricantes pretendem baixar a guarda para satisfazer um dos maiores desejos dos jogadores e produtores de videojogos: o cross-play, ou seja, ser possível os jogadores encontrarem-se nas partidas online no mesmo jogo, independentemente da plataforma que estão a usar.

E veja-se que ainda recentemente a Sony mantinha uma atitude ríspida ao não permitir que os seus utilizadores de Fortnite se “misturassem” com os da Xbox e Switch, causando mesmo transtornos de corrupção das contas dos jogadores na consola da Nintendo, obrigando a Epic Games a produzir uma ferramenta de migração das contas afetadas. Entretanto já são "todos amigos" e a Sony autorizou a compatibilidade cross-play entre a PlayStation 4 e restantes plataformas.

A nova estratégia da Microsoft, em direcionar os seus jogos para outras plataformas, seja o PC, como smartphones, recentemente tem vindo a partilhar o seu próprio catálogo com os rivais. O fenómeno Minecraft, por exemplo, está nas consolas da Sony e Nintendo, e relativamente à Switch, foi lançado recentemente Cuphead e anunciado durante a Gamescom esta semana a chegada em breve de Ori and the Blind Forest. Títulos que eram até então exclusivos da consola americana.

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Ori and the Blind Forest é um exclusivo Xbox One que migra para a Switch, abrindo portas à chegada da sua sequela à consola da Nintendo, Ori and the Will of the Wisps.

Esta semana a Sony fez a importante aquisição da Insomniac Games, a produtora de Marvel’s Spider-Man, aprofundando o investimento nos exclusivos. No entanto, há uma nota muito curiosa de Shawn Layden à Bloomberg, revelando que embora mantenha a ideia de conservar os seus jogos exclusivos, os títulos produzidos pelos estúdios da gigante nipónica baseados em experiências multijogador poderiam ser lançadas em outras plataformas.

Muito provavelmente o líder da PlayStation estava a referir-se ao PC, e não propriamente dito às consolas rivais: “irão ver no futuro alguns títulos a serem lançados da nossa coleção de estúdios que poderão necessitar de uma maior base de instalação”. E até já há um exemplo, o lançamento previsto para outubro do recém-anunciado ReadySet Heroes à venda na Epic Store.

A entrada de novos players nos diferentes ramos da indústria tem agitado as águas, e a obrigarem às eternas fabricantes de consolas a adaptarem-se. A declaração de guerra da Epic Store ao Steam tem vindo a fragmentar ainda mais o negócio do PC, na procura de exclusividade. A Google apresentou o Stadia como alternativa ao consumo de jogos sem a necessidade de consolas, através de uma plataforma de stream, o que significa que seja nos smartphones ou “microndas” todos poderão desfrutar dos melhores títulos do mercado. São sinais dos tempos de mudança...

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