A Semiconductor Manufacturing International Corporation (SMIC), a maior fabricante chinesa de semicondutores, foi adicionada à “lista negra” do governo dos Estados Unidos. Depois de realizar uma avaliação, a Administração Trump concluiu que os equipamentos desenvolvidos pela empresa podem ser usados para fins militares por parte do governo chinês, constituindo-se assim como um risco à segurança nacional.

De acordo com documentos do Departamento do Comércio a que a Reuters teve acesso, agora, as empresas norte-americanas terão mesmo de pedir uma licença especial para realizar negócios com a SMIC.

A avaliação do Departamento de Defesa norte-americano surgiu após denúncias da SOS International, uma empresa ligada ao sector da defesa no estado da Virgínia. A empresa acusou a SMIC de ter ligações a um dos maiores conglomerados de defesa do governo chinês, indicando que universidades ligadas ao exército do país usam tecnologia da fabricante para levar a cabo vários projetos de investigação.

Donald Trump considera colocar a maior fabricante de semicondutores na China na "lista negra"
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Em comunicado, a SMIC afirma que não recebeu qualquer tipo de informação por parte do governo norte-americano acerca das restrições impostas. A empresa volta também a sublinhar que apenas fornece serviços a utilizadores civis e comerciais e que não tem qualquer ligação com o exército chinês.

A decisão do governo dos Estados Unidos já está a ter um profundo impacto na cotação da SMIC na bolsa de valores de Hong Kong, fazendo com que as suas ações registassem uma queda de 7,9% no seu valor, passando a valer 2,21 dólares, avança a Reuters.

Logo após o surgimento da notícia de que da colocação da SMIC na “lista negra”, o Global Times, um tabloide detido pelo People’s Daily, o jornal oficial do Partido Comunista Chinês, publicou um editorial onde afirma que os Estados Unidos estão a tentar paralisar a indústria tecnológica chinesa. A publicação sublinha que, no entanto, mesmo depois dos múltiplos ataques do governo norte-americano, por exemplo à Huawei, ZTE, Tencent e ByteDance, a China fará de tudo para impedir que os Estados Unidos a “esmaguem”.

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Recorde-se que, ainda em junho, o Departamento de Defesa dos Estados Unidos publicou uma lista de empresas chinesas a operar em solo americano, acusadas de ligações com o exército chinês. A lista inclui empresas como a Huawei, a Hangzhou Hikvision, China Railway Construction Corporation, e a China Telecommunications Corporation, entre outras empresas ligadas ao sector da construção naval, telecomunicações, aeroespacial e até energia nuclear.

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