Uma equipa de investigadores da Universidade de Tóquio revelou que as rochas marinhas poderão ajudar os cientistas a encontrar vida em Marte, seja ela atual ou passada. Os especialistas descobriram um vasto conjunto de micro-organismos unicelulares a viver entre as pequenas fendas de rochas vulcânicas encontradas no oceano Pacífico em 2010.

De acordo com o estudo publicado na revista científica Communications Biology, as fendas nas rochas analisadas são a “casa” de uma comunidade de bactérias tão grande quanto aquela que existe no intestino humano. Ao todo, existem cerca de 10 mil milhões de células por cada centímetro cúbico. Os cientistas explicam que, em comparação, a densidade média de bactérias a viver no sedimento do fundo do mar é de apenas 100 células por cada centímetro cúbico.

As rochas vulcânicas encontradas pelos investigadores japoneses têm uma idade que se situa entre os 13,5 e os 104 milhões de anos. Yohey Suzuki, um dos principais investigadores, explica em comunicado que as fendas identificadas não têm mais do que a dimensão de 1 milímetro que, ao longo de milhões de anos, se vão enchendo com minerais de argila.

“Os minerais de argila são como um material mágico na Terra”, indica Yohey Suzuki, elucidando que há sempre uma grande possibilidade de encontrar também micróbios a viver neles. Os microrganismos identificados são bactérias aeróbicas que utilizam um processo semelhante às células humanas para gerar energia, dependendo de oxigénio e de nutrientes orgânicos para sobreviver.

Os cientistas indicam que os materiais de argila presentes nas fendas das rochas encontradas no oceano poderão ser semelhantes aos que existem nos rochedos na superfície marciana. A equipa liderada por Yohey Suzuki vai iniciar uma colaboração com o Johnson Space Center da NASA para desenvolver um plano com vista a examinar as rochas recolhidas em Marte por rovers como o Curiosity.

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Recorde-se que, se tudo correr como planeado, o rover Preserverance analisará a cratera de Jezero, em Marte, para procurar sinais de vida, tendo em conta os resultados de algumas investigações. A primeira aponta para a existência de depósitos de carbonatos na cratera marciana - que outrora terá sido um lago. Já a segunda indica que é rica em sílica hidratada, um mineral particularmente bom a preservar bioassinaturas.

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