"Estamos a fechar o Web Summit e já estamos a planear a próxima edição, que será maior e melhor (se possivel)" disse Paddy Cosgrave na sessão de encerramento do Web Summit 2022, sem fazer promessas e apresentando Marcelo Rebelo de Sousa, o presidente da República. "Não podiamos fechar o Web Summit sem ele", afirmou.

Lisboa voltou a ser uma cidade acolhedora para os mais de 71 mil participantes no Web Summit 2022, um número recorde, e mais alguns milhares que se dispersaram pela cidade em muitas iniciativas paralelas, reuniões e festas que se multiplicam por estes dias. O ambiente diverso, entusiasta e de muito networking continua a ser um dos marcos da cimeira de tecnologia que estende muito para além da tecnologia e do empreendedorismos os tópicos de debate, e até a meteorologia colaborou com sol e pouca chuva para a festa.

Este ano Paddy Cosgrave já tinha avisado que o espaço ocupado tinha sido usado de forma mais criativa, para continuar a crescer sem construir o prometido pavilhão da FIL, e a tenda do pavilhão 5 ajudou a "arrumar" as 2.630 startups e empresas expositoras, 1.120 investidores, além de 1.040 oradores que participam em talks em quase duas dezenas de palcos.

Havia muito mais espaço ao ar livre e apesar da chuva no dia 3 de novembro a maioria dos dias tiveram sol e calor, contribuindo para a ideia de que Portugal é a Califórnia da Europa. Mas mesmo assim, mais pessoas é também igual a mais  cotoveladas, mais ziguezagues para percorrer os agora cinco pavilhões que albergaram os diferentes palcos. Chegar ao novo pavilhão cinco é uma autêntica maratona, com a necessidade de sair 15-20 minutos da sala de imprensa.

Nota-se que o Web Summit é um “monstro” que quer continuar a crescer, mas os pequenos upgrades de espaço não são suficientes. É preciso rever urgentemente esta questão.

Veja ainda algumas das principais imagens que a equipa do SAPO TEK vai recolhendo por dentro do Web Summit

"Estamos esticados ao limite" admitiu o CEO e co-fundador do Web Summit que revela preocupações com o futuro. Mas durante os 4 dias da conferência não há tempo para pensar nas próximas edições, mesmo que a ideia seja ficar em Lisboa para além de 2028. É preciso mobilizar uma máquina que continua a funcionar de forma perfeita, com milhares de voluntários, uma aplicação que ajuda a manter a agenda em ordem e a ligar participantes, e uma conetividade assegurada pela Altice Portugal.

A primeira dama da Ucrânia foi uma das oradoras surpresa na abertura, mas houve muitos outros pontos de interesse, de Tony Fadell a Sir Tim Berners Lee, Changpeng Zhao da Binance, Mitchell Baker e Eva Longoria, que falaram sobre as suas empresas e projetos, as vitórias e os erros, e deixaram mensagens inspiradoras.

O sentimento de déjà-vu é cada vez mais acentuado de ano para ano. Seja pelos mesmos espaços, praticamente as mesmas disposições, a mesma decoração “reciclada” que dá imagem ao Web Summit, fica a sensação da falta de novidades. Há mais pessoas e mais talks, mas parece-nos que lhe falta mais o “factor Wow”, a capacidade de surpreender os visitantes. Talvez porque estamos sempre a procurar gadgets e invenções, gostaríamos de ver mais “brinquedos” nos palcos, como a ElliQ ou mesmo o Spot da Boston Dynamics que já parece ser mobília da casa.

Todos os caminhos vão dar ao metaverso?

Por outro lado, todos os anos existem novas tendências que parecem funcionar como tema generalizado. E fica a sensação que todas as sessões acabam no mesmo. Em anos anteriores tivemos as questões da mobilidade autónoma e smart cities, depois a cibersegurança/privacidade. Mas este ano, claramente que todos os caminhos iam dar ao metaverso. Foram várias as sessões que participamos a pensar num tema, mas a sair com mais ideias e conceitos de metaverso. E quando não era metaverso era a Web3 ou cripto. Ainda assim há quem diga "FUCK THE METAVERSE.”

Se no ano passado, a questão dos whistleblowers foi um dos “tópicos quentes” do Web Summit, com Frances Haugen, este ano o Web Summit apostou em grande no metaverso, criptomoedas e na Web3, se bem que os denunciantes não tenham ficado esquecidos este ano, com Mark MacGann a relembrar motivos que o levaram a expor a Uber e a realçar como os governos estão a perder terreno em relação às Big Tech.

Para lá das sessões mais “efusivas”, com defensores mais (ou menos) acérrimos das promessas da indústria cripto ou da web3, houve também espaço para uma tentativa de equilíbrio, com visões opostas, na esperança de que os participantes tirassem as suas próprias conclusões acerca destas temáticas.

Vale tudo para se destacar entre a multidão

Chamar a atenção num autêntico “mar” de startups não é uma tarefa fácil, nem mesmo para as empresas expositoras, várias delas já bem estabelecidas. Este ano, a competição parece ter sido ainda mais “renhida” e foram várias as estratégias usadas para captar a atenção do público, entre stands “gigantes”, jogos e desafios com direito a prémios, e muitos, mas muitos, brindes à mistura.

Da fábrica de unicórnios à “gémea digital” da ilha da Madeira, as empresas portuguesas  também reuniram esforços para se destacarem no Web Summit e não foram as únicas, aliás, percorrer os múltiplos espaços de exposição era como dar uma volta ao mundo em cinco pavilhões.

Também para os participantes o desafio era grande, mas as aplicações e a informalidade de alguns espaços são sempre uma ajuda, com algumas provas de vinho à mistura. Encontrámos pessoas que vieram dos quatro cantos do mundo, a expensas próprias ou com bilhetes pagos pelas empresas, à procura de inspiração, de fechar negócios ou de novas oportunidades de carreira.

O SAPO TEK esteve a acompanhar ao minuto o que se passava entre a Altice Arena, os 5 pavilhões e os espaços de networking, e mesmo depois de sete anos é fácil sentir a energia que flui neste espaço, onde parece que tudo é possível, mesmo que exista sempre algum cansaço associado a longas horas de talks, reuniões, jantares, gestas e muitos quilómetros percorridos.

(em atualização)

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